Plínio Bortolotti

“A vida dos animais”: ainda nos envergonharemos do tratamento que damos a eles?

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Meu artigo publicado na edição de hoje (2/8/2012) do O POVO.

Foto: Drawlio Joca (clique para ampliar)

A vida dos animais
Plínio Bortolotti

Em editorial na semana passada, este jornal levantou interessante tema, que normalmente é soterrado por assuntos mais “importantes”, inda mais agora em que candidatos a prefeito e vereador se digladiam por esse Brasil afora.

Trata-se de estudos de respeitados institutos científicos, como Caltech, MIT e Max Planck, mostrando que os animais têm insuspeitados níveis de consciência, o que vem sendo possível descobrir pelo avanço dos estudos em neurociência. Pode-se, portanto, dizer que o homem não é único ser consciente sobre a Terra.

O que esses institutos revelam de modo científico já é percebido empiricamente por qualquer pessoa que tenha um animal de estimação, ou mesmo vendo como interagem entre si ou com o meio ambiente.

Assim sendo, teríamos o direito de continuar a tratar os animais da forma como fazemos até hoje? Seria ético, por exemplo, o abuso que praticamos contra os animais, incluindo matá-los para alimentação?

Esse modo, chamemos cruel, de usar os animais é sancionado pela própria bíblia, na qual se explicita no Gênesis (1:26): “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra”.

Um interessante livro “A vida dos animais”, do sul-africano J.M. Coetzee, levanta pertinentes questões sobre o assunto. Um dos personagens chega a comparar a matança de animais ao holocausto dos judeus sob o nazismo: “Estamos cercados por uma empresa de degradação, crueldade e morte, que rivaliza com qualquer coisa que o Terceiro Reich tenha sido capaz de fazer”.

Será que a humanidade evoluirá ao ponto de olharmos para trás e lamentarmos o tratamento que demos aos animais, do mesmo modo que nos envergonhamos da escravidão, ou do horror que sentimos frente aos genocídios de humanos praticados contra humanos?

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1 comentário

  • Lima disse:

    Essa eh uma questao bastante interessante. Na raiz dela estah o consumo de carne. Existem varios grupos no mundo que pregam que consumir carne equivale a cometer assassinatos. Eu nao vou tao longe, mas acho que repensar os nossos padroes de consumo com vistas aos outros seres ocupantes do planeta nao eh mah ideia. Sem contar que a producao de carne eh extremamente danosa ao meio-ambiente e leva a um gasto excessivo de agua, alem do que, comprovadamente, o consumo de carne eh fator de risco para varios tipos de cancer!

    Do ponto de vista do individuo, acho interessante como as sociedades escolhem alguns animais como sagrados e outros nao. Uma vez um amigo questionava um chines, como ele podia comer carne de cachorro, um bicho tao afeito ao ser humano. O chines respondeu que a galinha, coitadinha, eh tambem amiga do homem, jamais lhe fazendo mal algum, nem por isso a sociedade ocidental abre mao de degusta-la! Abs.,

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