Plínio Bortolotti

Estados Unidos igualam-se a ditaduras: “Espionagem por atacado”

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Meu artigo publicado na edição de hoje (13/6/2013) do O POVO.

Arte: Hélio Rôla

Arte: Hélio Rôla (clique para ampliar)

Espionagem por atacado
Plínio Bortolotti

Edward Snowden, ex-técnico da Agência Nacional de Segurança, revelou a extensa espionagem do governo dos Estados Unidos, sobre seus próprios cidadãos e de outros países. Foram coletados 97 bilhões de dados, sendo três bilhões relacionados a americanos, tendo sido interceptadas ligações telefônicas, conversas por Skype, troca de e-mails e de mensagens em redes sociais e chats. Nesse aspecto, os EUA igualam-se às piores ditaduras, aquelas que entendem ter o direito de controlar o que cada cidadão, pensa, diz e faz.

Entanto, se isso é um pesadelo – equiparável ao Big Brother, que o escritor britânico George Orwell retratou no livro 1984 – não é surpresa para quem acompanha a forma como as gigantes da internet manipulam os dados que transitam pela rede, a cada vez que são acionados os serviços de e-mail, voz e redes sociais.

Em meu blog, vez por outra, combato o entusiasmo acrítico que muitas pessoas devotam à internet. Em post recente, comentei o livro O filtro invisível, de Eli Pariser, no qual ele mostra a maneira pouco ética como as grandes empresas da internet lidam com os dados dos usuários (http://migre.me/eYkj6).

No livro, escrito em 2011, Pariser transcreve parte de um texto de Tim Berners-Lee (o criador da World Wide Web), no qual ele já observava: “(…) os governos – tantos os totalitários como os democráticos – estão monitorando os hábitos on-line da população, ameaçando importantes direitos humanos”.

Agora, fica-se sabendo que esses gigantes não apenas fornecem os dados exigidos pelo governo americano, mas também desenvolvem sistemas para tornar mais rápido o processo de vigilância, como foi o caso do Google, Facebook, Yahoo, Microsoft, Apple, AOL e Paltak (O Estado de S. Paulo, 8/8/2013).

Os governos não fazem mais espionagem seletiva, como na era pré-internet: coletam dados em massa, transformando cada cidadão, em qualquer lugar do mundo, em suspeito e refém, ao mesmo tempo.

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1 comentário

  • Paulo Carvalho disse:

    Caro Plínio,
    Li um aforismo do Milton Friedmam que considero irrefutável, que é: “No capitalismo, não existe almoço grátis”. Também afianço parábolas do tipo “A moeda tem dois lados…”, “tudo na vida tem sem preço…”, etc.
    Então, esse é o preço que – lamentavelmente – temos pago para usufruirmos dos aparatos tecnológicos colocados a nossa disposição. Claro que aqui me refiro aos falsos benefícios dos sites de relacionamentos. Navego na rede, sim, mas com a certeza que não estou num ambiente totalmente seguro.
    Com relação à espionagem do Governo dos EUA, é realmente uma situação gravíssima e intolerante, claro. Agora, eu sempre questionei a tão propalada democracia deles. Costumava afirmar que os EUA era democráticos no quintal deles; para o resto do mundo, não o eram. Com essa nova revelação, chega-se a conclusão que nem para os patrícios, o são.
    Posso parecer conformista ou fatalista, mas é assim que penso. É lamentável a realidade que se apresenta…
    É isso aí…

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