Plínio Bortolotti

Na corrida, à espera do governador

Coluna “Política”, edição de 22/5/2014, do O POVO.

Na corrida, à espera do governador
Plínio Bortolotti

Ao ouvir Ruy Lima, mediador do programa Debates do Povo (rádio O POVO/CBN), perguntando se ele se via acordando como governador do Ceará em 1º de janeiro de 2015, Domingos Filho tomou a indagação como uma assertiva e respondeu:

– Oxalá a sua previsão esteja correta.

Vice-governador do Estado, Domingos Filho disputa com pelos menos outros seis pré-candidatos de sua coligação a preferência de Cid Gomes, a quem caberá indicar o nome a representar a continuidade de seu governo na disputa eleitoral.

No grupo de possíveis indicados, estão filiados do partido do governador (e do vice), o Pros, e do PT. Uma possibilidade inexistente, mas que Domingos Filho não descarta (“Em política não existe a palavra impossível”), é que o senador Eunício Oliveira (PMDB) venha a se subordinar ao comando de Cid, que segura firmemente as rédeas do processo sucessório.

Cuidadoso, Domingos Filho manteve a calma mesmo sob pressão, quando foram marteladas perguntas sobre segurança pública. Rejeitou a palavra “fracasso” para classificar a política de segurança pública do governo, e listou os investimentos na área. Porém, admitiu “fragilidades que precisam ser superadas”, e diz querer “discutir com humildade” os projetos para reduzir os índices de criminalidade.

Sobre a candidatura de Eunício Oliveira, que já está na rua, Domingos não joga a toalha: ainda espera que o filho desgarrado à casa torne e submeta-se a concorrer com os demais pretendentes que aguardam o comando do governador. Domingos, diz que Cid quer acertar com todos os partidos da coligação os critérios para nortear a escolha do candidato – e que isso tem de ser acatado pelos pretendentes à sucessão. Para o senador, ele manda uma recado: “Ninguém senta à mesa com uma condição única, se a posição de Eunício já está tomada, não há o que conversar”.

(Na verdade, esse é o tipo de decisão que Cid Gomes costumar tomar solitariamente.)

Sobre a demora do governador em indicar um candidato, Domingos insiste em dizer que nenhum partido ainda tem a chapa completa, e inclui nesta situação o próprio Eunício de Oliveira. Nas entrelinhas, pode-se ler o subtexto: Eunício, isolado, terá dificuldade para atrair outros partidos para formar chapa competitiva.

Se for preterido na escolha para disputar o governo, Domingos Filho garante que apoiará o candidato escolhido pela sua coligação. E, nesse caso, não disputará nenhum outro cargo público, dedicando-se a trabalhar pela reeleição do filho, o deputado federal Domingos Neto.

Como entrevistadores do programa Debates do Povo, base desta coluna, participamos eu e o editor-executivo de Política, Guálter George.

EUNÍCIO
Ficou feio para o senador Eunício Oliveira o desmentido do suposto apoio que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria dado à sua candidatura, conforme exposto na coluna de ontem. É difícil acreditar que o presidente do PMDB, Valdir Raupp, tenha dito que ouvira de Lula que daria o apoio, sem que o próprio Eunício tivesse ajudado a produzir a versão equivocada. De qualquer modo, como Eunício estava da reunião, ele poderia agora esclarecer: quem está falando a verdade: Raupp, que anunciou o suposto apoio; ou Lula, o dono da voz, que o desmentiu?

SEGURANÇA PÚBLICA
José Luiz Ratton fala hoje no Espaço O POVO de Cultura & Arte sobre segurança Pública. Ratton foi assessor especial do Governo de Pernambuco para assuntos de segurança pública, no mandato de Eduardo Campos (PSB), tendo implantado o projeto “Pacto pela Vida”, responsável pela redução da taxa homicídios naquele estado. Atualmente, é coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Criminalidade da UFPE. Servilho Paiva, secretário da Segurança do Ceará, trabalhou com Ratton, e procura aplicar aqui os mesmos princípios que nortearam o programa pernambucano. O evento será às 19 horas, na sede do jornal (av. Aguanambi, 282).

MULHERES
Benditas guerreiras é o título do livro lançado por Manoel Dias da Fonsêca Neto. Médico, ex-preso político, Fônseca foi também secretário de Saúde de Fortaleza. A obra lista 51 mulheres que se destacaram, pela sua santidade ou pela sua luta no decorrer da história da humanidade. O livro começa com as mulheres deusas e chega até a missionária Dorothy Stang, militante de movimentos sociais no Pará, assassinada em 2005. As ilustrações são de Audifax Rios; editora Expressão Gráfica.

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