Plínio Bortolotti

Pesquisa Ibope: as más notícias

Reprodução da coluna “Política”, edição de 23/5/2014, do O POVO.

Pesquisa Ibope: as más notícias
Plínio Bortolotti

Pesquisa, nesta altura do campeonato, serve para agitar o ambiente político, porém significa pouco quanto a prever o nome que ocupará cadeira presidencial a partir do dia 1º de janeiro de 2015. Assim deve ser vista a pesquisa do Ibope divulgada ontem. Fiquemos nos três principais (pré)-candidatos: Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB).

Se uma série de três consultas indica tendência, a presidente Dilma Rousseff não fica mal na fita, pois obteve 40% das citações; nas anteriores teve 37% (abril) e 40% (março), demonstrando estabilidade. As más notícias (para ela) são três: 1) seus principais adversários vêm crescendo: Aécio Neves (PSDB) obteve agora 20%, em abril 14% e março 13%. Eduardo Campos 11% (maio), 6% (abril) e 6% (março); 2) a taxa de rejeição dela é de 1/3 do eleitorado, contra 20% de Aécio e 13% de Campos; 3) aumentou para 33% a taxa dos que acham seu governo ruim ou péssimo.

As notícias negativas (para eles) são três: 1) na pesquisa espontânea (quando o nome dos candidatos não é apresentado), Dilma tem 22% das intenções de voto, contra 8% de Aécio e 4% de Campos; 2) somando todos os candidatos de oposição chega-se a 36% dos votos, assim, Dilma venceria no primeiro turno; 3) em eventual segundo turno, Dilma venceria qualquer um dos candidatos.

Isso, “se a eleição fosse hoje”, como ressalvam os institutos de pesquisa. Mas como já disse o filósofo: treino é treino e jogo é jogo. Ainda, pelo meio, haverá a Copa do Mundo, que se assemelhará a uma travessia do deserto para a presidente. Se ela chegar do outro lado incólume, avalio que a fortuna, como diria o Florentino, sorrirá para ela.

MACONHA
O delegado da Polícia Civil, Orlando Zaccone, entrevistado ontem no programa Debates do Povo (rádio O POVO/CBN), ficou conhecido devido à investigação dele no chamado “Caso Amarildo”, que levou 25 policiais militares à Justiça, acusados de tortura e morte do pedreiro Amarildo de Souza, no Rio de Janeiro.

Ele defende a desmilitarização da PM e a legalização das drogas. Zaccone é integrante da Law Enforcement Against Prohibition (agentes da lei contra a proibição), organização criada nos Estados Unidos para reunir policias que militam pela regulamentação do uso drogas. Para ele, é “irracional” continuar com a política de proibição, “quando morre mais gente na guerra às drogas do que pelo seu consumo”. Ao encerrar, Zacconi convidou à participação na Marcha da Maconha, no próximo domingo, às 14 horas, na Praia de Iracema. Haverá ato em várias cidades (http://marchadamaconha.org).

Para os que pensam que propor a legalização das drogas é coisa da “esquerda”, de malucos ou de “maconheiros”, informo que a revista britânica The Economist, a “bíblia do liberalismo”, defende essa política sob o argumento, entre outros, que governos não têm o direito de dizer às pessoas o que elas podem fazer, desde que não causem danos a outros ou à sociedade.

ETUFOR A.C.
Escrevi em coluna recente que a prorrogação da validade das carteiras estudantis até 31/5, era prazo curto demais para corrigir a trapalhada da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) na renovação do documento. A suspensão da meia-passagem nos ônibus resultou em ato de protesto, seguido do festival de violência contra os estudantes.

Pois bem, a Prefeitura deu novo prazo, agora 30/6. Suspeito que a encrenca continuará, devido à trama burocrática que separa os alunos do documento. Acompanhe:

1) o estudante tem de imprimir um boleto, o “comprovante de solicitação” no portal da Etufor; 2) depois, dirigir-se a uma casa lotérica para pagar a taxa – a Etussauro não admite o pagamento via internet; 3) pegar uma declaração na escola, comprovando a condição de aluno, juntar cópia do RG; 3) dirigir-se a um dos sete terminais de ônibus para a “biometria facial”; 4) entregar a papelada na entidade estudantil ou na sede da Etufor. Depois de pronta, a carteira estudantil tem de fazer a viagem de volta pelo mesmo pedregoso caminho.

Estamos na Idade da Pedra? Quando quase tudo pode ser resolvido online, a Prefeitura tem mesmo de obrigar os estudantes a um verdadeiro rali para conseguir o documento?

ERREI
O nome correto do livro lançado por Manoel Fonsêca é Benditas & guerreiras e não “Benditas guerreiras”, como grafei ontem nesta coluna.

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