Plínio Bortolotti

O trânsito e a trave

Reprodução do artigo publicado na edição de 11/9/2014, do O POVO.

Arte: Hélio Rôla

Arte: Hélio Rôla

O trânsito e a trave
Plínio Bortolotti

São complementares estas manchetes do O POVO: “Fortaleza não consegue ordenar suas calçadas” (9/9/2014) e “362 infrações por dia no binário da Aldeota e Meireles” (10/9). A primeira revela a incapacidade do poder público em dar uma ordem ao caos urbano que campeia na cidade e inferniza a vida de seus habitantes; a segunda mostra como “cidadãos” incivilizados, que ainda não aprenderam a conviver na urbe, contribuem para que a situação se torne um pouco pior.

Sobre a primeira notícia, o jornal voltou, dois anos depois, a vários pontos em que calçadas eram ocupadas das mais diversas maneiras, incluindo construções irregulares, e observou que a situação é a mesma, quando não pior. Confirmou também que as calçadas continuam a ser usadas como estacionamento, sem que nenhuma medida mais conclusiva seja tomada para coibir o abuso.

Quanto à segunda matéria, verifica-se a brutalidade em que o trânsito de Fortaleza se transformou, aqui por culpa quase que exclusiva daquele “cidadão” que não observa as regras mais elementares do trânsito: anda na contramão, invade a faixa exclusiva dos ônibus e dos ciclistas, acelera violentamente para “assustar” pedestre quando o sinal abre no meio da travessia; pisa para aproveitar o sinal amarelo e dispara para pegar o “restinho” do vermelho.

Quando é chamado à atenção por um dos raros agentes da AMC que patrulham as ruas, ele se sente no direito de desacatar a autoridade de que o funcionário é investido, pois existe um tipo de gente que só respeita a força, e esses guardas não carregam uma arma na cintura.

Esse deve ser o mesmo tipo de “cidadão respeitável” que fala que “nenhum político presta”; que reclama da corrupção; pede penas mais duras para qualquer deslize; e se arvora o defensor da moral e dos bons costumes.

“Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então verás bem para tirar o argueiro (cisco) que está no olho de teu irmão.”

Recomendado para você