Plínio Bortolotti

Fifa: corrupção anunciada

Reprodução do artigo publicado na edição de 4/6/2015 do O POVO.

Arte: Hélio Rôla

Arte: Hélio Rôla

Fifa: corrupção anunciada
Plínio Bortolotti

Mesmo quem acompanha futebol interessado somente no que acontece dentro das “quatro linhas”, já deve ter pelo menos vislumbrado seu lado sórdido – e não estou falando dos fanáticos que matam e morrem pelas “cores” do clube. Trata-se daquilo que é escondido embaixo do tapete (isto é, dos gramados), que vem a furo esporadicamente, pois os interesses são muitos e poderosos.

(Sempre me espantou que torcedores nunca tenham nem ao menos se queixado em voz alta da corrupção nas entidades que desmandam no futebol. Vê-se muita grita e movimentos – justificados – contra governos, mas o fanático por futebol pouco se importa em ser ludibriado por cartolas corruptos.)

Sem ser adepto do futebol, acompanho suas histórias (nem tão) paralelas, pois a julgo mais interessantes. Mantenho uma magra fileira de livros sobre o assunto, um deles Jogo sujo – O mundo secreto da Fifa: compra de votos e escândalo de ingressos (2011), pelo longo título brasileiro, contrastando com o curtíssimo e revelador nome original “Foul!” (falta), escrito pelo jornalista britânico Andrew Jennings.

O livro de Jennings é um “spoiler” da cena real que assistimos hoje na imprensa do mundo inteiro. O jornalista começa e termina o livro com uma onomatopeia: “Tique-taque, tique-taque, tique-taque”, imitando uma bomba-relógio, prestes a explodir, destinada a atingir em cheio a Joseph Blatter, o poderoso presidente da Fifa: o edifício da bela sede da entidade, com vista para os alpes suíços, iria ruir, era questão de tempo.

Personagens brasileiros povoam o livro, entre outros, João Havelange (“seu nariz era uma proa arrogante e imperial abrindo caminho entre as ondas de seres inferiores”); Ricardo Teixeira (“acossado por acusações de corrupção”) e Pelé (“Futebol = Pelé = Mastecard”).

Jennings detém o título de único jornalista do mundo banido das coletivas da Fifa, do qual ele deve se orgulhar.

PS. Em 2011, O POVO publicou entrevista com Jennings.

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