Plínio Bortolotti

Quintus faz perfil devastador de Catilina

Reprodução do artigo publicado na edição de 24/12/2015 do O POVO.

Hélio RôlaQuintus faz perfil devastador de Catilina
Plínio Bortolotti

A Polícia Federal (PF) resolveu aproveitar a sua popularidade para levar um pouco de cultura às massas. Quando nomeou de “Catilinárias” a operação de busca nas casas do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), deve ter previsto uma corrida ao Google.

Pois bem, quem pesquisou ficou sabendo que o termo refere-se aos discursos que o cônsul romano Marcus Tullius Cicero fez, nos idos dos anos 60 a.C., contra Lucius Sergius Catilina, que conspirava contra a República Romana.

O que, talvez, menos gente saiba é que Cicero enfrentara Catilina nas eleições em que o primeiro levou vantagem. Para preparar Cicero para a disputa, seu irmão Quintus Tullius escreveu uma espécie de manual para orientá-lo na campanha. Nestes escritos, Quintus faz um perfil devastador de Catilina, afirmando que ele “não tem medo de nada, muito menos da lei”.

Quintus diz que Catilina “nunca perdeu uma chance de profanar um santuário, mesmo quando seus comparsas se recusavam a aviltar-se tanto”, mencionando que “ele se livrou de seus processos por meio de propinas (…) praticamente todo dia há uma nova convocação para levá-lo à Justiça”.

Quintus alerta o irmão que Catilina “é tão imprevisível que os homens têm mais medo dele quando não está fazendo nada do que quando está armando confusão”.

Mencionando outro adversário de Cicero, Quintus escreve: “Antonius e Catilina são homens que se distinguem mais por seus crimes do que pelo nascimento privilegiado”. (Ambos eram nobres e Cicero, um “forasteiro” em Roma.)

Colhi essas informações no livro Como ganhar uma eleição (editora Edipro), que reproduz a carta que Quintus enviou ao irmão Cicero para ajudá-lo a se conduzir na disputa eleitoral.

Suspeito que os delegados da PF que deram o nome à operação Catilinárias tenham lido o livro.

PS. Na coluna “Menu Político”, no caderno “People”, edição de domingo (27/12/2015), comento outros aspectos da carta de Quintus.

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