Plínio Bortolotti

É justiça ou é política?

1111 10

Reprodução do artigo publicado na editoria de Opinião, edição de 20/10/2016 do O POVO.

É justiça ou é política?

A operação Lava Jato contaminou-se de tal maneira que é difícil alguém deixar de enxergar viés político em qualquer de suas ações. Foi-se de um extremo a outro, começando com aquele juiz inalcançável – que falava apenas nos “autos do processo” – chegando-se a magistrados popstar, como Sérgio Moro, que já deve ter dado mais palestras e ganhado mais comendas do que o ex-presidente Lula. Juntamente com os espetaculosos promotores, formam a denominada República de Curitiba, que eletriza um país chamado Brasil.

Assim é que a prisão de Eduardo Cunha propicia análises para todos os gostos e partidos. Enquanto alguns comentaristas apressam-se a dizer que a decisão contra o ex-presidente da Câmara prova que a Lava Jato não é direcionada exclusivamente ao PT, os blogs de esquerda devolvem afirmando que levar Cunha à cadeia é anteparo para Moro fazer Lula seguir o mesmo caminho.

Portanto, estão em disputa (vá lá) duas “narrativas”: uma garantindo que a Lava Jato foi usada para “desconstruir” e “criminalizar” o PT; e outra pretendendo que o juiz e procuradores de Curitiba são servidores públicos inquestionáveis e apenas seguem o roteiro: primeiro o PT; depois os outros, cuja hora estaria surgindo agora, para calar de vez os petistas.

Questionamento a decisões de juízes fazem parte da democracia e são saudáveis, mas nesse caso, chegou-se a uma ruptura prejudicial à própria ideia de Justiça. E grande parte da responsabilidade recai sobre os métodos excessivos, porém de “boa-fé”, praticado por Moro e procuradores.

O fato é que Cunha está em prisão preventiva. Qual será o seu comportamento? Homem-bomba, que levará junto seus colegas de malfeitos? Boi de piranha, que vai debater-se, mas será tragado pelos agressivos peixes? Ou o cordeiro que aceita pagar pelo pecado dos outros?

De qualquer modo, o melhor é Lula, Temer e sua turma botarem as barbas de molho, apesar de os últimos serem glabros.

Recomendado para você

10 Comentários

  • Paulo Marcelo Farias Moreira disse:

    1.
    Sérgio Moro, que já deve ter dado mais palestras e ganhado mais comendas do que o ex-presidente Lula…

    Acho que os títulos de Lula são bem maiores.
    A propósito.
    Há registros de palestras de Lula?
    Um selfie?
    Algum vídeo?

    2.
    métodos excessivos, porém de boa-fé, praticado por Moro e procuradores….

    Qual o motivo de aspas em boa-fé?
    Quantas as sentenças reformuladas em instancias superiores?
    MENOS DE 4%.
    E a boa-fé ao tomar dinheiro de empréstimos consignados?
    E a boa-fé dos petistas ajudando grandes empresários e países ditatoriais?

    3.
    Vai ser cordeiro sim.
    Transcrevo Fábio Campos, 20/10/16:
    tinha o poder de influenciar compras da Petrobras em um ermo país africano, o Benin. Ora, quem concedeu a Cunha esse poder? A resposta é óbvia. Claro que o aval partiu de quem mandava na Petrobras. É só fazer a soma dois mais dois.

    4.
    o melhor é Lula, Temer e sua turma botarem as barbas de molho…
    Por causa de Cunha?
    De novo Fábio Campos, 20/10/16:
    Já a Odebrecht, com sua incrível diretoria de operações estruturadas, uma pompa para diretoria da propina, é coisa muito maior. A Suíça autorizou o envio de mais de duas mil páginas de extratos bancários, ordens de pagamento e dados de contas da empresa. Isso equivale a dezenas e dezenas de Cunhas.

  • João Rafael de lira disse:

    – Bom dia/tde.
    – Permita-me, Sem entrar no “mérito” da questão… Apenas corrigir/ESCRITA:
    *** Portanto, estão em disputa (vá lá) dua “narrativas”:
    # Portanto, estão em disputa (vá lá) dua(s) “narrativas”:
    – Conte SEMPRE com nosso APOIO. Obrigado pela oportunidade…

  • Diego disse:

    Depois de ” Lula, um filho do Brasil.” Lula será tema de um novo filme: Que horas ele (Lula) chega em Curitiba?”
    Fico perplexo ao ver e ler “intelectuais” defenderem criminosos contumazes em detrimento da lei e da ordem.
    Aqueles que defendem um país mais justo contradizem-se ao defenderem seus bandidos de estimação .
    Diego

    PS:
    O CHORO É LIVRE!

    • Plínio Bortolotti disse:

      Caro Diego,

      Agradeço pela gentileza de me incluir entre os “intelectuais”, mas declino. Deixo para você, que é um “iluminado”.
      PS. A soberba é livre.

  • DIEGO LUZ disse:

    Minhas escusas, mas a referência que fiz aos “intelectuais” não se referia ao jornalista.

    Sinto que tenha se sentido assestado.

    PS “A vida é como um espelho: se você sorri para o espelho, ele sorri de volta.” Gandhi

  • Paulo Marcelo Farias Moreira disse:

    É justiça ou é política?

    A operação Lava Jato contaminou-se de tal maneira que é difícil alguém deixar de enxergar viés político em qualquer de suas ações.

    Além de Veríssimo e Gaspari agora até Reinaldo Azevedo está lendo sua coluna.

    Transcrevo:
    Está, entendo, tudo errado na operação de busca e apreensão feita pela Polícia Federal, com autorização da Justiça, no Senado Federal, com a consequente prisão de quatro agentes da polícia da Casa: Pedro Ricardo Carvalho, diretor; Geraldo Cesar de Deus Oliveira; Everton Taborda e Antonio Tavares. Trata-se de uma exibição de musculatura desnecessária, evidenciando que os hoje aclamados defensores da moralidade pública podem tomar decisões atrabiliárias, que ignoram, inclusive, os limites entre os Poderes. Quando menos, há imprudência.
    O nome da operação, “Métis”, já dá o que pensar. Já chamei aqui a atenção para a criatividade do Departamento de Marketing da Polícia Federal e da força-tarefa. Métis era a deusa da astúcia e também dos afazeres técnicos. Segundo os gregos, o homem por excelência que vivia sob a inspiração de Métis era o político. Bem, quando a Polícia Federal realiza uma operação dessa natureza na Câmara Alta da República — por mais que ela esconda alguns homens e mulheres baixos —,
    então o que se tem é a polícia tomando o lugar da política.

    As duas palavras têm a mesma raiz. Mas a civilização democrática as distanciou.
    […]
    Acho que os bandidos têm de ser punidos para preservar as instituições. Não me agrada destruir as instituições para punir bandidos. No primeiro caso, tem-se democracia; no segundo, fascismo.
    Exercício desnecessário de força é truculência.

  • Diego disse:

    “… o abismo olha para você.” Friedrich Nietzsche Para Além do Bem e do Mal

\

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *