Plínio Bortolotti

PT e PSDB: quando a paralelas se encontram

Reprodução do artigo publicado na editoria de Opinião, edição de 16/3/2017 do O POVO.

PT e PSDB: quando a paralelas se encontram

Dois dos mais ferrenhos adversários, que se confrontaram em refregas políticas memoráveis, enfim, acharam uma clareira na qual podem sentar ao redor de uma fogueira e concordar em alguma coisa: a forma de ver o caixa 2 concilia PT e PSDB.

Recuando no tempo, quem levantou a tese de que o caixa 2 era era um mero tropeço foi Lula, quando exercia a Presidência da República e viu seu partido enrolado no caso do “mensalão”. Na época, partidos adversários, travestindo-se de cândidos, jogaram lenha na fogueira onde ardiam os petistas.

Hoje, com todo mundo com a água no pescoço, o argumento original está em processo de reciclagem. A começar pelo pelo mais emplumado dos tucanos, o também ex-presidente e ex-ateu, Fernando Henrique Cardoso, que comparou o caixa 2 a um, digamos assim, pecado venial: “Há diferença entre quem recebeu recursos de caixa dois para financiamento de atividades político-eleitorais, erro que precisa ser reconhecido, reparado ou punido, daquele que obteve recursos para enriquecimento pessoal, crime puro e simples de corrupção”. Esse argumento, com pequenas variações, é abraçado por quase todos os partidos.

Se o situacionista FHC deu a senha para absolver os praticantes do malfeito, o oposicionista PT não deixou a bola cair. Fiquemos com a declaração do cearense José Guimarães: “Temos que mudar as regras, fazer alguma coisa. Do jeito que está não se salva ninguém. Acho que algumas figuras da República poderiam sentar com FHC e Lula para discutir uma saída”.

Para fechar o círculo, entrou em campo o indefectível ministro do STF Gilmar Mendes: “Caixa 2 nem sempre é corrupção”.

Mas nesse terreno ele terá de enfrentar a presidente do STF, Cármen Lúcia, para quem “caixa 2 é crime e agressão contra a sociedade”. Para infelicidade de alguns, a ministra resolveu seguir a carreira jurídica, em vez de ficar em casa, conferindo preços de supermercados.

(E a lista de Janot vai fazer aumentar a pressão pela impunidade.)

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