Plínio Bortolotti

Por que Alckmin escapou da Lava Jato?

1914 18

Contra Geraldo Alckmin (PSDB-SP) corria um processo no Superior Tribunal de Justiça (STF) no qual ele respondia por suposta recepção de mais de R$ 10 milhões em caixa dois, nas campanhas eleitorais de 2010 e 2014, quando foi eleito ao cargo de governador de São Paulo. O dinheiro teria sido repassado pela construtora Odebrecht, enrolada até o pescoço na Lava Jato. O processo estava no STF, pois governadores são julgados nessa corte, devido ao foro privilegiado.

Ao deixar o cargo de governador para disputar a Presidência da República Alckmin perdeu a prerrogativa de foro. Assim, a força-tarefa da Lava Jato em São Paulo pediu para investigá-lo, dois dias depois dele ter saído do governo.

No entanto, a ministra Nancy Andrighi, do STJ, resolveu submeter o processo à Justiça Eleitoral, considerando que a prática caracterizou-se como de Caixa 2. Para quem estava pertinho de entrar no inferno da Lava Jato, estacionar da Justiça Eleitoral é uma espécie de paraíso.

Caixa 2 (receber dinheiro para campanha sem declarar) nem é previsto como crime no Código Penal, sendo considerado apenas “conduta ilegal”. Com pena bem mais leve. Corrupção – pena: de 2 a 12 anos de prisão e multa. Caixa 2 – pena: até cinco anos de prisão (no Brasil, vai para regime fechado quem é condenado a pena a partir de oito anos de prisão).

GLEISI

Agora vejam o caso da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). Ela é ré no Supremo Tribunal Federal (STF), acusada de corrupção (Lava Jato). A senadora teria recebido R$ 1 milhão para a campanha eleitoral em 2010 (ou seja, Caixa 2), recurso supostamente advindo do sistema de corrupção na Petrobras.  

Em ambas as situações, os processos foram abertos a partir de delações.

Sendo assim, qual a diferença entre os dois casos? Por que Alckmin escapou da Lava Jato e Gleisi não? Marque a alternativa que julgar correta.

A diferença é que:

1 – Alckmin recebeu (supostamente) R$ 10 milhões e Gleisi um valor menor, de R$ 1 milhão.

2 – Apesar de a prática ilegal ser a mesma, em ambos os casos, é normal e compreensível que os tribunais, STF e STF, tenham entendimento diferente sobre o que é corrupção e Caixa 2.

3) Gleisi é do PT e Alckmin do PSDB.

Recomendado para você

18 Comentários

  • Mauro de Castro Andrade disse:

    Prezado Jornalista, a alternativa correta está muito difícil! Vou “chutar” na 3.

  • filho disse:

    Facil de responder.No caso do Geraldo, o delator disse que contribuiu e não teve vantagem e da Presidente do PT teve. Simples assim!!! Agora se ele for culpado, cadeia nele! Não defendo bandidos na politica como o nobre jornalista.

  • filho disse:

    Quando falo que no caso da Gleisi teve, falo baseado em que o delator disse.Por todo canhoto ser santo, grato pelo perdão.

  • Diego Luz disse:

    Será que foi pelo mesmo motivo que o ex-prefeito, Fernando Haddad, também foi para o STE?

  • Soares disse:

    Não defendo Alckimin, por mim ele Aécio e cia já deviam estar presos, mas cá entre nós, como os jornalistas do O Povo, sob a bandeira da liberdade de expressão e imprensa, deixam aflorar suas paixões políticas! Por favor, sejam um pouco imparciais! Tá demais!

    • Plinio Bortolotti disse:

      Caro Soares, trata-se de um artigo. Nesse tipo de texto você não pode cobrar “imparcialidade”. Está aí, publicada, a sua opinião.

  • Francisco Ricardo disse:

    Eu acho que os dois devem ser julgados e condenados. Há similaridade entre os casos. Não investigar o Alckmin é uma vergonha atribuída a atuação monocrática e irresponsável da ministra. Porém os procuradores da Lava-Jato não vão deixar isso assim, penso eu…
    Agora, voltando à sua questão, considerando a boa memória do Diego Luz, a atuação de um ou outro membro do TJ/STJ/STF justifica o que aconteceu. Se o 2º HC do Lula tivesse ido por sorteio para o Gilmar Mendes, certamente ele concederia monocraticamente e faria de tudo para não levar ao plenário. Estamos com essa falta de visão colegiada una nos tribunais e isso é um fato. Faltou uma opção para isso nas suas respostas. Por fim, acho que abrir questões com o fim de caracterizar todos contra o PT ou a esquerda é totalmente inútil, até porque todos os erros devem ser apurados e punidos. Há desajustes, mas defendo que não é nas instâncias menores e sim nas superiores, que se permitem ter membros que “aceitam” influência política de todos os partidos (direita e esquerda). Sendo assim, ainda que seja muito feio o negócio, segue o jogo!!!

    • Plinio Bortolotti disse:

      Olá, Ricardo, você tem razão quanto a essa confusão que está acontecendo nos tribunais superiores. Já escrevi sobre isso em outros texto e também já comentei o assunto na intervenção que faço no programa Revista O POVO (rádio O POVO/CBN).

  • ENTENDO. OU SEJA MINHA CORROPUÇÃO DA PT E DIFERENTE DA DO PSDB. O MEU JAPONÊS E MAIS AUTÊNNTICO QUE O TEU.

  • Antônio José. disse:

    É a mesma coisa se compararmos o Cid Gomes e o Aécio Neves. Cid pediu e recebeu da JBS 20 milhões enquanto Aécio pediu mas não se sabe se recebeu 2 milhões. O processo do Aécio tá pra ser julgado e o do Cid engavetado.

  • Pedro Wilson disse:

    Pedi a minha filha de 8 anos pra ela responder e ela marcou a opção 3.
    Será que ela tá certa?

  • Pedro Cerqueira disse:

    A diferença é o caso do Alckmin ter caído nas mãos de um membro do MP e de uma ministra do STJ que ao invés de jogarem para a galera jogam de acordo com as regras. Gleisi é fruto das patuscadas promovidas por Janot e Fachin. Para eles palavra de delator é lei, sem precisar constituir qualquer outra prova. Ressalva: a minha simpatia pelo PT e seus integrantes é nula.

  • carlos disse:

    A Justiça brasileira além ser um jogo de cartas marcadas ainda por cima corporativista e não passa de torcida organizada

  • Gilmar disse:

    STJ mente para o Povo, Alckmin teria que ser julgado pelo Lava Jato após perder foro privilegiado, não é mais de competência do STE julgar.

\

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *