Plínio Bortolotti

Deixem Bolsonaro falar (as idiotices de sempre)

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O Supremo Tribunal Federal cometerá erro grosseiro, caso receba a denúncia crime por racismo contra o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL), candidato a presidente da República. Na sessão de quinta-feira passada a sessão foi suspensa, com pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes. Quatros magistrados já haviam votado: dois pelo acatamento da denúncia (Roberto Barroso e Rosa Weber) e outros dois pela sua rejeição (Marco Aurélio Mello e Luiz Fux).

As declarações de Bolsonaro a respeito dos quilombolas, homossexuais e outros grupos minoritários são abomináveis, mas o deputado tem o direito de expressá-las. Liberdade de expressão é basicamente o direito do outro dizer o que você não quer ou não gosta de ouvir.

As excreções do deputado: “Eu fui a um quilombola [o correto é “quilombo”] em Eldorado Paulista. Olha, o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas (…) não fazem nada, nem para procriador eles servem mais”. Sobre homossexuais: “Prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí (…) Não vou combater nem discriminar, mas, se eu vir dois homens se beijando na rua, vou bater”. E por aí vai.

(A propósito, Bolsonaro é machão quando se trata de discutir com mulheres ou depreciar homossexuais, mas quando foi assaltado no Rio de Janeiro, em 1995, ele não reagiu: levaram-lhe a arma e a moto. Na época, declarou aos jornais: “Mesmo armado me senti indefeso”.)

Assim, está certo o filósofo Raoul Vaneigem quando afirma em seu livro Nada é sagrado, tudo pode ser dito que “a liberdade de expressão é um direito humano até mesmo para dizer o inumano”.

Além do mais, como lembrou o próprio Bolsonaro, a Constituição brasileira é explícita, em seu artigo 53, ao garantir que “deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos”. Se uma parte da esquerda quer calar Bolsonaro nos tribunais, não poderá queixar-se depois se a arma voltar-se contra ela. Ciro, por exemplo deveria ser processado por ter chamado o vereador de São Paulo, Fernando Holiday (DEM-SP) de “capitãozinho do mato”?

E Bolsonaro defende a liberdade de expressão para ele mesmo, porém, quer calar, por via judicial, quem o critica. Ele está processando o deputado estadual Carlos Minc (PSB-RJ), devido a um post no Twitter em que ele é classificado como “machista, homofóbico; antiecologia, racista, truculento”. Para o sensível Bolsonaro, Minc “maculou” o seu “bom nome” (sic), tendo-lhe causado “sofrimento interior, desequilíbrio emocional, angústia, sentimento de injustiça…”. Ora, Bolsonaro é uma figura pública e, se tem o direito a falar, tem a obrigação de ouvir, mesmo as críticas mais pesadas.

O fato é que, caso o STF aceite a denúncia, corre-se o risco de Bolsonaro transformar-se em um mártir da liberdade de expressão. É um erro combater o deputado pedindo a sua prisão. Ele tem de ser derrotado politicamente, de modo a afogar-se em seu próprio vômito. (Atenção: é uma figura de linguagem, não estou propondo que o deputado seja torturado.)

PS. Pelos mesmos motivos expostos neste texto, em 18/12/2014 escrevi o artigo Contra a cassação de Bolsonaro, pois quatro partidos propunham a medida contra o deputado: PT, PC do B, PSOL e PSB, devido às ofensas dirigidas à deputado Maria do Rosário (PT).

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26 Comentários

  • george disse:

    é brincadeira como alguns colunistas desse jornal estão desesperados,sejam profissional,façam jornalismo com imparcialidade,praticamente td dia tem uma matéria denegrido a imagem do candidato Jair Bolsonaro,nosso futuro presidente.

    • Plinio Bortolotti disse:

      Na verdade, estou defendendo o direito à livre expressão do candidato, mesmo discordando dele. Portanto estou “parcialmente” a favor dele.

  • fran disse:

    Esse ai é petista

  • Daniel disse:

    Isso é um Blog pessoal ou Jornalístico (parte de um grupo de comunicação)?

    Acredito que um profissional de imprensa, na verdade, o verdadeiro profissional, não deve manifestar sua opinião a favor de A, B ou C, muito menos expressar opinião sobre a fala do mesmo..

    Ficar por trás de um Blog dizendo (por opinião própria) que alguém fala as “idiotices de sempre”é muito fácil… mas… pelo visto as “idiotices de sempre”estão transcritas nas palavras do próprio “jornalista”

    • Plinio Bortolotti disse:

      Caro, o que escrevo são artigos (análise, opinião), diferente de matérias, para as quais existe outro método. Jornalista também pode dar opinião, quando é um articulista, faz parte do ofício.

  • George Machado disse:

    Melhor JAIR se acostumando. Matéria de um típico socialista tupiniquim. O título da matéria chama de IDIOTICES os temas do candidato de direita que defende a família e a sociedade. Brincadeira. Triste a gente ter que ler essas matérias tendenciosas e desprezíveis!

    • Plinio Bortolotti disse:

      Você é contra defender a liberdade de expressão de Bolsonaro? A propósito: 1) creio que você se equivocou quanto à posição de Bolsonaro no arco ideológico.Ele não é de “direita” é de extrema-direita, defensor de torturadores e da ditadura; 2) o texto não é uma “matéria”, é um artigo de opinião. E, enquanto estivermos na democracia, é melhor ir já se acostumando com opiniões diferentes da sua.

  • Pedro Wilson disse:

    O nível intelectual dos que seguem Bolsonaro é tão deprimente que, em uma matéria claramente favorável ao candidato, todos os comentários foram criticando o autor da matéria que, repita-se, defendeu o direito do candidato se expressar.
    Quanto ao direito de expressão, assim como todos os direitos, NÃO É ABSOLUTO, devendo, em uma sociedade com um mínimo de civilização, haver limites, e esse limite é a Lei, não podendo se admitir que, a pretexto de manter um direito (de expressão) se violem outros diversos , como fez o citado deputado ao praticar o CRIME de Racismo, crime este que é condenado em todo o mundo civilizado justamente pelo mal que pode causar caso não seja combatido em sua origem, como já se viu em diversas oportunidades na história da humanidade, em particular na Alemanha nazista.

    • Plinio Bortolotti disse:

      Olá, Pedro Wilson, é um bálsamo quando recebo comentários com argumentos, como é o seu caso, ao levantar uma questão que merece ser debatida.

  • Antonio Sampaio disse:

    O grande nó do problema é que os bolsomitas não têm capacidade de interpretar textos.

  • Meireles disse:

    É ISSO AÍ!!! E QUEM TIVER PELO MENOS UM POUCO DE BOM SENSO, DEVE PROCURAR REVER SUAS CONVICÇÕES!!! ASSIM PENSO EU!!!
    PORÉM CADA CABEÇA, É UMA SENTENÇA!!! NÃO É VERDADE?!!!

    *Por que eu vou votar em Bolsonaro*

    Não voto em Bolsonaro só por que ele é verdadeiro, ético, sério e defende valores de família, de moral e de costumes que defendo.
    Eu voto em Bolsonaro por muito mais que somente isso.

    Para mim votar em Bolsonaro é votar contra o terrorismo praticado pelo MST e seus lacaios, por Boulos e outros facínoras que usam os pobres como massa de manobra.
    É votar contra uma esquerda sociopata que vem destruindo todos os conceitos mais caros de uma sociedade que se quer séria.

    Votar em Bolsonaro é extravasar a raiva com o que faz diuturnamente canalhas como Gilmar Mendes, Dias Tófoli, Lewandowiski e Marco Aurélio que enlameiam a justiça que presta para defender seus bandidos de estimação, praticando a justiça que não presta.

    É o voto contra a complacência com regimes ditatoriais como o de Maduro, na Venezuela, e dos Castros em Cuba.

    Votar em Bolsonaro é votar contra bandidos que aterrorizam as pessoas direitas em todas as grandes cidades, que matam por um mísero celular, que tira a vida de inocentes cujo único erro é estar usando um bem que, na maioria das vezes, obteve com enorme sacrifício e de estar na hora e no local errados, como se a liberdade de ir e vir fosse uma prerrogativa só dos criminosos.

    É o voto do cidadão de bem, honesto, trabalhador que vive refém de governos e de bandidos, que vive aprisionado em suas residências pelo pânico de sair nas ruas.
    É, portanto, o voto de gente comum que vive em cada recanto desta nação. Gente que dá um duro desgraçado para ter o mínimo necessário para ter uma vida digna e que vê seus direitos legais sendo usurpado pela quantidade enorme de direitos dos bandidos, conferidos por uma justiça que é cega para pessoas de bem, mas privilegia criminosos.

    Votar em Bolsonaro é a esperança de ver cessada pelo menos uma parte importante da roubalheira que temos assistido todos os dias, é saber que nossa grana não está enchendo os cofres dos ladrões de sempre e dos novos, é a esperança de ver os impostos que pagamos oferecendo para a população os serviços básicos prestados por uma nação que se quer justa.

    É a certeza do fim deste maldito politicamente correto imposto a cada brasileiro que preza os conceitos mais caros de uma sociedade, é ter a certeza de que seu filho pequeno não será submetido à lavagem cerebral da infame ideologia de gênero por professores psicopatas dentro de nossas salas de aula.

    O voto em Bolsonaro é o voto no único candidato transparente, que mostra a cara sem maquiagens, sem marquetagens que criam personagens fictícios, que tem defeitos, mas que quando comparados aos dos outros, chegam a ser virtudes.

    É o voto da certeza de que as criminosas invasões de propriedades particulares terão seu fim decretado e que seus responsáveis serão tratados pelo que realmente são, isto é, um bando de terroristas criminosos.

    Nós que pretendemos entregar nossos votos para Bolsonaro sabemos que não vai ser fácil vencer esta máquina corrupta e corruptora instalada nos porões de Brasília e nos governos de estados e municípios. Que vai ser dificílimo desmentir as Fake News de uma imprensa safada e lotada de bandidinhos vermelhos. Mas é com a eleição de Bolsonaro que pode ser iniciado o processo de depuração que desejamos, por que ele é o ÚNICO CANDIDATO que não está entranhado nos porões da roubalheira Brasil e que tem coragem e uma dose de maluquice suficiente para chutar a bunda dos ladrões.

    E, por fim, votar em Bolsonaro representa o fim da posse dos cofres da nação por uma esquerda e suas colorações, que vem arrebentando com esta nação desde a redemocratização do país. Chega de socialistas, chega de esquedorpatas querendo nos obrigar a ser o que não somos, chega de sentir vergonha de ser brasileiro.

    Votar e eleger Bolsonaro Presidente deste país é dar um pé na bunda de tudo o que nos humilha, o que nos dá raiva e o que nos dá vergonha de ser brasileiro.

    *Votar e eleger Bolsonaro pode ser a real chance de ter o Brasil que queremos de volta. Mais justo, mais honesto, mais sério e mais limpo.*

    • Plinio Bortolotti disse:

      Tudo bem, vote no “cidadão de bem” que é contra a corrupção, mas tem funcionária fantasma e recebe auxílio aluguel tendo apartamento em Brasília; vive, com a família, exclusivamente da política, ganhando um bom dinheiro; que quer armar o cidadão, mas se sente “desprotegido”, mesmo com uma Glock; mas, por favor, nos poupe do textão.

  • George Gonsalves disse:

    Parabéns, Plínio, pela sensata exposição. No entanto, discordo. A liberdade de expressão não é valor absoluto. Poderia, por exemplo, um político defender a pedofilia ou o terrorismo? Assim, Bolsonaro, ou qualquer outro, devem responder por ofensas e crimes de racismo, ou assemelhados. Um abraço.

    • Plinio Bortolotti disse:

      Olá, George, agradeço pela sua argumentacão. A meu ver, a liberdade de expressão vai até onde não se põe em risco a vida dos outros. O exemplo clássico é o sujeito achar que tem o direito de gritar “fogo”em um Teatro lotado, se a ocorrência não for verdadeira.

  • Fernando disse:

    É ridiculo como a imprensa se coloca agredindo e atingindo um candidato como se essa mesma mídia oficial estivesse somente ela com a razão.
    Pra mim tudo de que foi acusado o candidato Bolsonaro já foi esclarecido a muito tempo mas essa mesma mídia oficial fica dando círculos sobre esses mesmos assuntos e ridiculamente tentam denegrir a imagem do candidato apenas por responder a altura das repetidas questões.

  • Ernesto Aragão disse:

    Geralmente concordo com seus comentários, nossa visão de mundo, na maioria das questões, são muito parecidas, mas me permita discordar desse seu post. Você colocou que o Bolsonaro tem o direito de se expressar, nisso concordo plenamente, pois tal qual você, sou um democrata convicto, mas o que o seu entendimento diverge do meu nesse episódio é que não foi um simples comentário, foi uma ofensa e ninguém tem o direito, em nome da liberdade de expressão, atacar com palavras de ódio e atos de pura arrogância contra qualquer pessoa ou minorias, de ofender e ficar impune, portanto ele deve sofrer as consequências de seus atos de falastrão inconsequente.

    • Plinio Bortolotti disse:

      Olá, Ernesto, reconheço que essa posição minha é bastante minoritária. Consigo discordâncias à direita e à esquerda que, normalmente tem posições diferentes sobre o que pode e o que não pode ser dito, mas concordam que é preciso algum tipo de freio. Vamos conversando. Agradeço pelo comentário.

  • GugaBuga disse:

    Eu vou de Amoedo, mas entre Bolsonaro e Ciro vou de Bolsonaro!
    Tem video do Ciro dando tapa na cabeca de quem argumentava contra ele. Achei feio!!!!

    • Plinio Bortolotti disse:

      Feio mesmo é um sujeito que dá empurrão em mulher; arrota valentia, mas, mesmo armado, se sente “desprotegido” na frente de assaltantes.

  • Felipe Lima disse:

    Plínio, o tema é realmente complexo e entendo que não haja resposta satisfatória para essa questão. Vale ressaltar que a censura que se repudia é a prévia, isto é, a de silenciar um indivíduo. Entretanto, o discurso não é livre de represálias posteriores, inclusive judiciais. Da mesma forma, o manto parlamentar não pode ser usado como subterfúgio para cometimento de crimes, como injúria, calúnia ou difamação. Ocorre, com efeito, que esses crimes possuem tipificação mais específica (Quem, nominalmente, Bolsonaro ofendeu ou difamou? A quem ele induziu o cometimento de que crime?). Cabe aos juristas, a discussão mais aprofundada sobre se, de fato, ele comete crimes falando as tolices que diz.

    Entretanto, não estou certo de que o acatamento do recebimento da denúncia consista de fato em um prejuízo social ou político. Diversos ocupantes de cargo público já iniciam e são alvos de processos na Justiça por troca de ofensas públicas e, em geral, essa cacofonia pouco acrescenta aos debates necessários em nosso país. Só é lamentável que tenhamos que recorrer ao Judiciário para tentar dar um basta nessa balbúrdia.

    O próprio candidato costuma das soluções simplórias a problemas complexos, adotando o senso comum de que para cada problema há uma solução – o que é absolutamente falso. Não só não há problemas sem solução como eles são muitos. Este, eu acredito, é um deles.

  • martins filho disse:

    tenho certeza que no dia 28 de outubro do corrente ano você estará muito puto da vida!
    viva a democracia!

  • Jesus disse:

    Plínio, em um dos comentários você menciona que o presidenciável é de extrema-direita… O que o torna extrema-direita? O que é extrema-direita no espectro político ideológico e qual a fonte de tal argumento?

    Obrigado!

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