Plínio Bortolotti

Qual a real relação dos Bolsonaros com as milícias?

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Vou fazer neste texto um levantamento da relação entre os Bolsonaros e as milícias. Não se trata de afirmar que eles têm vínculos com esses criminosos, além da conexão aparentemente amistosa, em discursos ou redes sociais.  Mas nenhum dos integrantes da família atuantes na política fez, até hoje, condenação mais firme desses grupos paramilitares que aterrorizam e dominam boa parte do território do Rio de Janeiro, principalmente as favelas.

Normalmente formada por policiais ex-policiais, esses grupos criminosos praticam a extorsão de dinheiro, assassinatos, exploram ilegalmente serviços públicos e estão envolvidos com grilagem de terras. Como os Bolsonaros construíram carreiras políticas explorando tema da segurança pública, parece incompreensível a tolerância com esse tipo de criminosos. No relato que se segue registro fatos que tenham relação com o assunto e os Bolsonaros. A mais antiga declaração que consegui levantar sobre o tema “milícias” é de autoria de Jair Bolsonaro, um discurso que o então deputado fez na Câmara dos Deputados em agosto de 2003.

Portanto, sugiro, caso alguém queira me xingar (sempre há os fanáticos bolsonaristas que o fazem), que brigue com os fatos. Como disse o próprio Bolsonaro, em um tuíte que divulgou durante o carnaval – com o qual quis provar uma suposta obscenidade que teria tomado conta da festa -, vou expor a situação para que a “população ter conhecimento e sempre tomar suas prioridades”, fazendo o mesmo apelo do presidente: “Comentem e tirem suas conclusões”.

* * *

2003, AGOSTO. Estava em debate na Câmara dos Deputados a ação de um grupo de extermínio na Bahia, que cobrava entre R$ 50 e 100 para assassinar pessoas. O então deputado Jair Bolsonaro, em seu discurso, disse o seguinte: “Quero dizer aos companheiros da Bahia — há pouco ouvi um parlamentar criticar os grupos de extermínio — que enquanto o Estado não tiver coragem de adotar a pena de morte, o crime de extermínio, no meu entender, será muito bem-vindo. Se não houver espaço para ele na Bahia, pode ir para o Rio de Janeiro”.

2007, FEVEREIRO. Flávio Bolsonaro, então deputado estadual (hoje senador), falando na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), discursou: “Como bem disse o Sr. Deputado Paulo Ramos, não se pode, simplesmente, estigmatizar as milícias, em especial os policiais envolvidos nesse novo tipo de policiamento, entre aspas. (…) A milícia nada mais é do que um conjunto de policiais, militares ou não, regidos por uma certa hierarquia e disciplina, buscando, sem dúvida, expurgar do seio da comunidade o que há de pior: os criminosos”.

2008, JUNHO. Durante debate para a instalação da CPI das Milícias na Alerj, proposta e presidida por Marcelo Freixo (Psol), Flávio Bolsonaro, elogiou o trabalho dos milicianos: “Sempre que ouço relatos de pessoas que residem nessas comunidades, supostamente dominadas por milicianos, não raro é constatada a felicidade dessas pessoas que antes tinham que se submeter à escravidão, a uma imposição hedionda por parte dos traficantes, e que agora, pelo menos, dispõem dessa garantia, desse direito constitucional, que é a segurança pública”.

DEZEMBRO 2008. A CPI das Milícias é concluída, com o relatório final pedindo indiciamento de 266 pessoas, entre elas sete políticos, suspeitos de ligação com grupos paramilitares no Rio. Nesse mesmo ano, o relatório foi entregue à Câmara Federal. O então deputado Jair Bolsonaro discursou: “Querem atacar o miliciano, que passou a ser o símbolo da maldade e pior do que os traficantes. Existe miliciano que não tem nada a ver com ‘gatonet’, com venda de gás”. Depois disse que não se podia “generalizar”, classificando de “covarde” o relatório e o presidente da CPI, Marcelo Freixo.

2011, AGOSTO. A juíza Patrícia Acioli, conhecida por combater as milícias no Rio de Janeiro foi assassinada com 21 tiros, no dia 12, por dois homens, quando chegava em casa. O comentário de Flávio Bolsonaro no Twitter: “Que Deus tenha essa juíza, mas a forma absurda e gratuita com que ela humilhava policiais nas sessões contribuiu para ter muitos inimigos”.

2015, JANEIRO. Daniela Barbosa Assumpção de Souza, juíza da Vara de Execuções Penais, sofre grave agressão ao fazer inspeção no Batalhão Especial Prisional, onde estavam presos policiais militares acusados de integrar uma milícia. Ela teve a blusa rasgada, perdeu óculos e sapatos. Disse Flávio Bolsonaro: “A juíza se dirigiu de forma desrespeitosa a alguns policiais, chamando de vagabundos e milicianos. (…) Acabou sendo expulsa lá de dentro por policiais que se revoltaram”.

2018, FEVEREIRO. Já candidato a presidente, em entrevista ao programa “Pânico”, rádio Jovem Pan, Jair Bolsonaro, ao responder como pretendia combates as milícias, afirmou: “Calma. Você tem que pensar. Tem gente que é favorável à milícia, porque é a maneira que eles têm de ser ver livre da violência. Naquela região que a milícia é paga, não tem violência. Não é só na região não, você vai para Madureira, naquele centro de Madureira, tem muito comércio, pequenos shoppings ali. Quem paga, em média, cinquenta merréis por mês, para alguém daquela área, não tem arrastão no shopping dele”.

2018, MARÇO, DIA 14. A vereadora Marielle Franco (Psol-RJ) e seu motorista Anderson Gomes são assassinados no Rio de Janeiro, provocando comoção mundial. As primeiras suspeitas apontam para a ação de milicianos. Dos 13 candidatos a presidente, apenas Jair Bolsonaro não manifestou pesar ou solidariedade às famílias pelas mortes. Um assessor disse que ele não falaria, pois a sua opinião seria “polêmica demais”.

2018, MARÇO. Depois em entrevista a um canal bolsonarista no Youtube, Bolsonaro justificou-se dizendo que devido ao “simbolismo” da vereadora, qualquer depoimento seria “potencializado e distorcido” contra ele, por isso resguardaria o “direito de permanecer em silêncio”.

2018, MARÇO. Dois dos filhos de Bolsonaro falam sobre o assassinato de Marielle e Anderson. Flávio chegou a escrever e seu Twitter que lamentava a morte de Marielle, e que mantinha “relação respeitosa” com a vereadora, mas depois apagou a postagem. Eduardo (deputado federal por São Paulo) preferiu criticar as suspeitas de que policiais militares poderiam estar envolvidos no crime: “Se você morrer seus assassinos serão tratados por suspeitos, salvo se você for do Psol, aí você coloca a culpa em quem você quiser, inclusive na PM”, escreveu.

2018, ABRIL. Flávio é o único deputado a votar contra a proposta de Marcelo Freixo (PSol) para a Alerj conceder a medalha Tiradentes em homenagem póstuma a Marielle Franco. A proposta foi votada no dia 13, e aprovada com a seguinte observação: “Com voto contrário do Deputado Flávio Bolsonaro”.

2018, JULHO. Em campanha eleitoral, Jair Bolsonaro procurou se distanciar do tema, dizendo que “as milícias acabaram se desvirtuando”, acrescentando que não queria mais falar do assunto.

2018, SETEMBRO. A operação Quarto Elemento, coordenada pelo Ministério Público Estadual do Rio, deteve os irmãos PMs Alan e Alex Rodrigues de Oliveira, acusados de fazer parte de uma quadrilha especializada em extorsão de dinheiro e também de constituir, integrar e financiar organização criminosa. Ambos participavam das campanhas de Jair Bolsonaro e de seu filho Flávio (candidato eleito ao Senado). No caso de Flávio, atuavam como seguranças, segundo informações de integrantes da campanha. Na ocasião, Bolsonaro disse que a participação de agentes em sua campanha era “voluntária”.

2018, SETEMBRO. Na época, jornais informaram que a irmã dos PMs Alan e Alex, Valdenice de Oliveira Meliga, era assessora de Flávio e tesoureira do PSL no Rio. Salário: R$ 6,4 mil. Em 1º/10/2017, Flávio havia publicado uma foto em seu Instagram ao lado dos dois irmãos PMs (gêmeos) e do pai, Jair Bolsonaro, com a seguinte legenda. “Parabéns Alan e Alex pelo aniversário, essa família é nota mil!!!”

2018, SETEMBRO. No total, a operação Quarto Elemento buscava mais de 40 suspeitos. Entre os presos estavam também outros três policiais: os PMs Leonardo Ferreira de Andrade e Carlos Menezes de Lima e o policial civil Bruno Duarte Pinho. Os três policiais haviam recebido da Assembleia Legislativa do Rio “moção de louvor e congratulações” por “serviços prestados à sociedade”, proposta de Flávio Bolsonaro.

2018, OUTUBRO. Os então candidatos a deputado Rodrigo Amorim (estadual) Daniel Silveira (federal), em ato de campanha, rasgam uma placa de rua em homenagem a Marielle. Os dois são do PSL-RJ e foram eleitos com o apoio entusiasmado da família Bolsonaro. Wilson Witzel (PSC), então candidato (eleito) a governador do Rio, estava no ato e também comemorou a destruição da homenagem. Amorim mandou emoldurar um pedaço da placa afixando-a em seu gabinete

2019, JANEIRO. Deflagrada a operação Os Intocáveis, na qual são presos e denunciados pelo menos 13 suspeitos de participarem de uma milícia que age na zona Oeste do Rio de Janeiro. Entre eles estavam o major da PM Ronald Paulo Alves Pereira, que foi preso, e o ex-capitão do Bope, Adriano Magalhães da Nóbrega, foragido. Ambos foram homenageados (2003/2004) na Alerj, por proposta de Flávio Bolsonaro. Nóbrega recebeu a mais alta comenda, a Medalha Tiradentes; Pereira ficou com uma menção honrosa, este quando já era investigado como um dos autores de uma chacina que matou cinco jovens, na Baixada Fluminense. Ronald é considerado um dos líderes Escritório do Crime, organização especializada em assassinatos, suspeita de estar envolvida na morte de Marielle e de seu motorista Anderson.

2019, JANEIRO. Além de homenagear esses militares, Flávio Bolsonaro empregava em seu gabinete de deputado estadual, até novembro do ano passado, duas parentes de Adriano Magalhães da Nóbrega: a mãe, Raimunda Veras Magalhães e a mulher, Danielle Mendonça da Costa Nóbrega. Cada uma com salário de R$ 6,4 mil. Segundo Flávio, Fabrício Queiroz foi o responsável pela contratação das duas. Queiroz ficou conhecido depois de revelar-se que outros funcionários do gabinete repassavam dinheiro para a conta dele. Suspeita-se que o motorista Queiroz era o responsável por administrar a prática conhecida como “rachadinha”.

2019, FEVEREIRO. A revista piauí publica levantamento, com base nos registros da Assembleia Legislativa do Rio, mostrando que, entre 2003 e 2018, o então deputado Flávio Bolsonaro aprovou moções e medalhas para 19 policiais militares, três policiais civis e um tenente-coronel da reserva do Exército, que são réus na Justiça ou foram condenados por crimes diversos, que vão do homicídio à lavagem de dinheiro, organização criminosa ou fraudes em licitações. Entre as homenagens concedidas por Flávio há as chamadas “moções” (usadas para expressar louvor) – e a Medalhas Tiradentes, a mais alta condecoração da Alerj. Na maioria dos casos, os indiciamentos e as punições ocorreram depois de os policiais terem sido homenageados por Flávio Bolsonaro.

2019, MARÇO. Poucos dias antes de completar um ano da morte de Marielle e Anderson, a polícia civil prende o sargento reformado da PM Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz, suspeitos de serem os executores do duplo assassinato. Segundo o Ministério Público, Lessa era muito vinculado ao Rio das Pedras, local de atuação do grupo de milicianos do Escritório do Crime. Lessa mora no Rio, no mesmo condomínio do presidente Jair Bolsonaro, na mesma rua da residência do presidente. O delegado Giniton Lages, que coordenou a operação, informou que o filho mais novo de Bolsonaro namorou a filha de Lessa.

2019, MARÇO. A polícia também descobriu que Ronnie Lessa rastreava, pela internet, defensores de direitos humanos, com “singular obsessão” pelo deputado federal Marcelo Freixo (Psol). Quando deputado estadual, Freixo foi responsável pela CPI das Milícias, na Assembleia Legislativa do Rio, que começou a levantar o véu sobre esses grupos de bandidos e suas possíveis ligações com políticos.

Atualizações

2020, FEVEREIRO – O miliciano, ex-capitão do Bope Adriano Nóbrega, que estava foragido, foi morto pela Polícia Militar da Bahia. Ele era apontado como chefe de uma milícia no Rio de Janeiro. Adriano fora condecorado por Flávio Bolsonaro com a mais alta comenda da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, e teve parentes dele empregados em seu gabinete.

2020, JUNHO – Depois de vários meses sumidos, Fabrício Queiroz é preso em Atibaia (SP) na casa do advogado da família Bolsonaro, Frederick Wassef. A prisão do faz-tudo dos Bolsonaros levou a outros elos com as milícias, segundo investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro. Entre esses casos, um encontro entre o advogado do senador Flávio Bolsonaro, Luis Gustavo Botto, e parentes do ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega. Também participou dessa reunião a mulher de Queiroz, Márcia Aguiar, que também tinha um mandado de prisão contra ela, mas está foragida. O encontro aconteceu antes da morte de Adriano e tinha o objetivo, segundo o MP, de organizar uma fuga, com ajuda dele, para a família de Queiroz. O MP também afirma que Queiroz continuou mantendo influência sobre um grupo paramilitar de Rio das Pedras (na cidade do Rio).

Esses são os fatos. Até agora.

Para concluir, duas perguntas:

QUEM MANDOU MATAR MARIELLE E ANDERSON?
POR QUÊ?

Veja também Os Bolsonaros e as milícias.

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35 Comentários

  • Flávia Oliveira disse:

    Uau, que levantamento interessante. Bem explicadinho, pra quem não consegue entender essa ligação espúria entre a família bolsonaro e as milícias.

  • Celio celedonio disse:

    Qual a verdadeira relação das esquerdas com o narcotrafico? Afinal as facções criminosas narcotraficantes apoiaram abertamente o candidato Haddad, do PT nas ultimas eleições presidenciais.

    • Plinio Bortolotti disse:

      Olá Célio, apesar de uma coisa nada ter a ver com a outra, você poderia apresentar fatos, como eu fiz, para responder à sua pergunta. Vá à luta e não fique apenas nas palavras vazias. A propósito, você leu este trecho do artigo, identifica-se com ele?

      “Portanto, sugiro, caso alguém queira me xingar (sempre há os fanáticos bolsonaristas que o fazem), que brigue com os fatos.”

  • Roberto Campos disse:

    Com uma lista tão extensa, resta dúvida da ligação entre Bolsonaro, seus filhos e as milícias? É evidente que não. Olha o que a irracionalidade antipetista nos trouxe. Tá difícil Brasil.

  • Marcelo Amaral disse:

    Eduardo Bolsonaro veio visitar os policiais acusados da chacina da Messejana. Lembram?

  • mateus silva disse:

    Ok. Em análise seus “fatos”. Quase convencido!!
    Agora, me convença que não houve interferência politica na retirada da matéria sobre denuncia envolvendo o governador Camilo e o senador Cid sobre recebimento de propina da JBS.

  • João Evangelista disse:

    Os bolsominions adoram homens de farda e milicianos.

  • HELIO FELIX disse:

    Esse trabalho jornalístico apresenta de forma sintética um assunto que poderia transformar-se num filme. No caso, um documentário que desnudaria mais amiúde os “personagens”.

  • Wagner Tavares disse:

    Excelente texto. Simples e direto. Só não entende quem não quer.

  • José Costa Silveira disse:

    E quem mandou matar John Kennedy? Por quê?

  • Costa disse:

    Parabéns Plínio, você fez o dever de casa!

  • Francisco Flávio de Almeida disse:

    Prezado Plínio,

    Parabéns pelo excelente trabalho. Fica a informação, nítida, fundamentada, transparente e sem viés. A qualquer mortal, com um mínimo de senso crítico, certamente ficará a evidência de uma relação estreitíssima do clã com esse tipo de criminosos. Tudo isso é, no mínimo, censurável. Mas tem gente que defende e até vai te acusar, da mesma forma que também irão comemorar o 31/03, ANIVERSÁRIO DO GOLPE. Inteligência e bom senso não é pra todos, fazer o quê ?

  • Carlos Andrade disse:

    Parabéns pela pesquisa. Trabalho bem elaborado e formador de opinião. Não precisamos ir muito a fundo para atestar a simpatia desses senhores pela milícia.

  • Kleidson Santos disse:

    Plínio não são apenas os defensores dos “Bolsonaros” que criticam seus posicionamentos,as vezes, totalmente tendenciosos,entendo que o Jornalista pode ter o seu viés ideológico,no entanto,sem exageros,como é o seu caso,outro dia em um debate na Rádio O Povo CBN,por não concordar com outro debatedor,vc simplesmente falou no ar,PQP,que saiu fruto de uma intransigência que o deixa cego.Apenas como um simplório conselho, já disse em outras ocasiões que vc é um jornalista de mão cheia,mas talvez se seguisse uma linha mais imparcial,sem perder a essência seria melhor pra sua carreira e pro Jornal.Ah, só pra ser correto e me posicionar,sempre votei no PT,mas estou naquela grande parcela da população que se sentiu enganado e que conseguiu tirar o véu da ideologia de esquerda e entender que o PT simplesmente quebrou o país, e que existia uma quadrilha comandada por Lula.Por outro lado estou muito preocupado que um país com a oitava economia mundial seja presidido por um incompetente,mas precisamos torcer e até ajudar para que a coisa funcione e não ser simplesmente do contra como as vezes vc é.

    • Plinio Bortolotti disse:

      Olá, Kleidson, 1) O que você considera “exagero”, um palavrão que deixei escapar? 2) Eu não fico “cego”, sei muito bem do que estou falando, sou veemente, o que é diferente. 3) Eu sou um jornalista de análise e opinião, escrevo artigos, sou debatedor, por isso minhas opiniões ficam evidentes; quando eu escrevia reportagens, agia de forma diferente – e vou te dizer: nunca recebi queixas de ter deixado meu “viés ideológico” interferir nas matérias que escrevi. 4) Quanto à minha “carreira” não se preocupe, eu cuido dela. Aliás, não estou preocupado com a “carreira”, mas em dar o melhor que posso oferecer como jornalista; 5) quanto a ser “melhor para o jornal”, quem há de definir isso – inclusive, se for o caso ouvindo dos leitores -, é a direção do jornal, que sempre se pautou por manter uma equipe diversa na Redação, entendendo que isso é democrático e enriquece os debates. 5.1) A propósito, temos um Conselho de Leitores e uma ouvidoria/ombudsdman, exclusivamente para fazer críticas ao jornal. 6) De minha parte, nunca me senti “enganado” por partidos ou políticos, pois não assino cheque em branco, nunca tive heróis e nunca fui “fã” de ninguém (seja político ou artista) e nunca acreditei em milagres, nem os prometidos pelos políticos e nem por pastores ou padres. 7) Quem tem torcida é time de futebol, ademais, torceria para quê? Par pôr fim à aposentadoria rural? Para reduzir os benefícios dos pobres e de pessoas com deficiência, como quer a reforma proposta pelo governo?; para reduzir o trabalhador à “quase informalidade”, como preconiza Bolsonaro?; para implementar a “escola sem partido”?; para acabar com o “politicamente correto”?; combater o “kit gay” e a “mamadeira de piroca”? Para defender quem comemora a ditadura, que perseguiu, torturou, fez desaparecer e matou pessoas, e elogia ditadores sanguinários com Alfredo Stroessner (Paraguai) e Augusto Pinochet (Chile), e, ainda, no Brasil tem como ídolo gente da espécie de Carlos Alberto Brilhante Ustra, que levava crianças para verem os pais sendo torturados?

  • MIGUEL CESARR NOBRE CAMARA disse:

    OS BOLSONAROS SÃO MAIS PERIGOSOS QUE SE IMAGINA

  • joao f disse:

    Sempre fui crítico da maioria dos seus textos, mas este está perfeito, irretocável. A eleição desse sujeito e da extrema direita que ele representa é um atraso ao processo civilizatório. Mas a roda gira e ele vai cair tão rápido quanto subiu.

  • Yuri PF disse:

    Disse tudo. Essa familicia é um desastre para nosso país. Só os bolsominions não enxergam. Prefiro ser governado pelo lula da cadeia. Mas em 2022 é Ciro com certeza.

  • Francisco disse:

    Bem levantados os dados… trazem à luz um conjunto de evidências que mostram a simpatia e até uma defesa espúria da família Bolsonaro para com as milícias. De fato contribui muito para formação de opinião, mas se restringe à simpatia por estes grupos e isso de fato mostra a natureza deles.
    Só ficou forçada sua pergunta final! Talvez algum incauto desavisado, militonto e precipitado iria conlcuir que os Bolsonaros lideram as milícias.
    Você fez um excelente trabalho. É assim que se desconstrói imagens falsas ou se expõe a natureza verdadeira dos políticos populistas, com fatos. Mas para mim sua pergunta final soou como construir uma ponte, sem fatos (nenhum dos citados acima leva a isso), para induzir a opinião das pessoas no sentido de imputar um crime a alguém. Essa lógica supera a minha inteligência.

  • Francisco disse:

    Uma observação… eu não tenho simpatia nenhuma pelos Bolsonaros, não votei nele e acho que ele é meio que um doido varrido. Minha esperança está em parte da equipe de governo, que pelo menos isso ele acertou na escolha. Mas eu afirmo… doido varrido é bem diferente de corrupto. Para ser corrupto precisa ser inteligente e sagaz. Definitivamente não é o caso dos Bolsonaros…

  • LEITOR ANÔNIMO disse:

    Plínio, não tenho nada com isso, graças a Deus, mas vou te emprestar (dar não dou) um conselho da minha Velha Mãe… ” Vai te aquietar” — ela diz quando a gente está fazendo alguma coisa que pode render no futuro. Não fica cutucando muito “as onças” com vara curta, não.

    • Plinio Bortolotti disse:

      Olá “Leitor Anônimo”, deixe a sua mãe em paz e aprenda: conselho se “empresta” ou se dá a quem pede. E, só uma pergunta: você está me fazendo alguma ameaça? Se for isso, tenha coragem de confirmar e se apresentar para sustentar o que você está dizendo.

  • PAULO CARVALHO disse:

    Eu nunca me enganei de que seríamos governados por um imbecil de “marca maior”, extensivo à sua equipe de governo. Somente a turba delirante e apaixonada por esse tosco e incompetente não admite isso.
    Por ou lado, caro Plínio, devo dizer que sempre leio os seus textos e, quase sempre, os endoço, por saber que são produzido com o maior rigor jornalistíco possível e que são realmente embasados em fatos. Continue assim…

  • Francisco José disse:

    Espetacular matéria. Fatos jornalísticos que desvendam a verdadeira face dessa família que governa nosso país. Só os fanáticos não enxergam a relação dessa família com os milicianos.

  • José Dantas Batista Filho disse:

    Concordo com você, Plínio, em gênero, número e grau. O clã Bolsonaro, está no estômago das milícias do Rio de Janeiro. Não tenho a menor dúvida. A questão é: quem vai mandar apurar?

  • Elder Barbosa disse:

    Os Bolsominions quando ficam sem argumento vão dizer. E o LLulla? Ainda bem que temos jornalistas comprometidos com a verdade. Doa a quem doer. Parabéns Plínio, excelente matéria.

  • LEITOR ANÔNIMO disse:

    Eu lhe ameaçar??? Você parece que não entendeu o espírito da coisa. O que eu quis (e quero) lhe dizer é que se existem tantas “evidências” que os Bolsos estão atrelados a esses grupos então não seria o correto não mexer nesse vespeiro??? Os fatos estão aí, então… macaco velho não mete a mão em cumbuca, né mermo???
    Outra coisa. Parece que você só gosta de comentários do tipo do Paulo Carvalho, ou estou enganado???

    • Plinio Bortolotti disse:

      E você só gosta falar no anonimato, não é “Leitor Anônimo”, confortável, não? Mas de fato, não entendi – procure melhorar um pouco a sua escrita -, mas se não é ameaça, ótimo; parece que você está preocupado comigo, porque falo de “poderosos”. Agradeço sua preocupação, mas dispenso.

  • Amyr Feitosa disse:

    você Plínio como jornalista deveria mostrar eventuais ligações se há alguma mas de forma covarde e imoral faz insinuações cínicas e indignas no bom jornalismo … enfim é o que pseudo-intelectuais discípulos do Brucutu fazem nas cátedras e se melindram quando peitados por quem ousa pensar e de forma cínica censuram como querem impor à sociedade … por que a estupidez fanática acha que quem é contra um ladrão ou ladrões presos são discípulos do Olavo de Carvalho ? este com Gramsci são puro lixo.

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