Plínio Bortolotti

Forças Armadas, policiais, milicianos e fanáticos religiosos

A “autodeclarada” presidente da Bolívia, Jeanine Añez, apossou-se do cargo anunciando que “a Bíblia entrará novamente no Palácio (do Governo)”, enquanto caminhava erguendo o livro por sobre a cabeça. O fanatismo religioso era o elemento que faltava tornar-se mais explícito na equação que derrubou o presidente Evo Morales. 

À nomenclatura “golpe cívico-militar e policial”, pode-se acrescentar o item “religioso fundamentalista”, tanto pela ação das denominações neopentacostais – que vêm crescendo na América Latina-, quanto de grupos católicos de extrema direita, cujo representante mais conhecido na Bolívia é Luis Camacho, que teve papel decisivo na oposição agressiva a Morales. 

AMEAÇA À AMÉRICA LATINA
“Evangélicos neopentecostais e grupos católicos de extrema-direita são hoje a maior ameaça que a América Latina enfrenta. Quando a Bíblia ou outro livro sagrado substitui a Constituição, a democracia e a laicidade do Estado são feridas de morte”, escreveu José Ospina-Valencia, jornalista da Deutsche Welle, a respeito do crescimento desses grupos fanatizados na região.

ATORES
O “cívico”, entre os atores do golpe é referência às organizações que impulsionaram as manifestações contra Morales, a principal delas o Comitê Cívico de Santa Cruz, dirigido justamente Camacho, acusado de chefiar as milícias que agrediram fisicamente partidários do presidente deposto e atearam fogo em residências de seus aliados e em prédios públicos.

CALDO VENENOSO
No Brasil também se cozinha caldo venenoso com os mesmo ingredientes bolivianos. 

Portanto, deve-se prestar atenção em:

1. Iniciativas como a de Olavo de Carvalho, guru da família Bolsonaro, que iniciou um curso online de “filosofia”, oferecido gratuitamente aos policiais brasileiros. Mas “filosofia” de Carvalho é uma gororoba ideológica, regada a preconceitos, teorias da  conspiração, defesa da ditadura e da terra plana, sem esquecer o negacionismo quanto ao aquecimento global. Ele é o comandante de uma usina destinada a produzir ódio contra a universidade, a cultura e as artes. Se a corporação policial já tem dificuldade em se pautar pela civilidade, submetida à disciplina rasputiniana de Carvalho, tenderá a transformar-se em uma milícia da extrema direita.

2. No avanço de religiões que almejam disputar o poder de Estado. O bispo Edir Macedo – o mais vistoso desses falsos profetas – proprietário da Igreja Universal do Reino de Deus e da TV Record, não esconde que a sua denominação tem um “plano de poder” para o País, que já está em marcha, tendo como hospedeiro o governo de Jair Bolsonaro.

3. Nas milícias, por enquanto virtuais, da família Bolsonaro.

4. Nas vivandeiras que rondam os bivaques para bulir com granadeiros. E em militares que ficaram assanhados depois de o deputado Eduardo Bolsonaro ameaçar com um “novo AI-5” no Brasil.

E lembrar sempre:

“O preço da liberdade é a eterna vigilância”

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