Política

Quem perde o debate quando o Cabo Daciolo ganha

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Os oito participantes do debate entre presidenciáveis na Bandeirantes ontem (Foto: Nelson Almeida/AFP)

Preferi dormir um pouco, esfriar a cabeça e refletir mais antes de escrever sobre a estreia da temporada de debates na disputa presidencial de 2018, que aconteceu na noite de ontem na Rede Band. Um desastre, quase uma tortura de aproximadamente três horas, das quais não se consegue tirar um só momento que nos possa fazer acreditar que temos à frente uma campanha capaz de reverter o pessimismo com o futuro que hoje domina o brasileiro.

É perda de tempo falar sobre as ausências, especialmente a de Lula, que lidera as pesquisas, tentando entender se ganhou ou perdeu etc. Ele perdeu, não há o que discutir. Importante mesmo é refletir sobre os que estavam lá e expuseram um quadro de absoluto vazio de ideias, ninguém conseguiu emplacar uma novidade que leve o cidadão, a partir do debate, a imaginar uma saída encaminhada para os graves problemas do seu dia a dia.

Uma situação que ajuda a explicar o grande “sucesso” que acabou fazendo o candidato Cabo Daciolo, do Patriota, um cidadão que apresenta uma absoluta falta de noção sobre o que seja a função para a qual se candidatou. Alguém que não junta coisa com coisa, que apega-se à bíblia e à Deus para fundamentar toda opinião, um político que uma democracia mais madura dificilmente permitiria a qualquer partido apresentar como representante numa disputa com o nível de seriedade que deveria ter uma campanha presidencial.

O Cabo Daciolo acaba sendo o símbolo nivelador de uma discussão que até tinha entre os participantes gente boa, preparada, só que eles terminaram engolidos pelas circunstâncias.

Pode ser o tempo exagerado, pode ser o modelo engessador adotado, até pode ter uma certa influência da ausência do líder polêmico (que certamente seria alvo preferencial da maioria), mas, antes de tudo isso, há um problema de inexistência real de propostas e de uma discussão sobre elas. Neste sentido, eximam-se de responsabilidades maiores a emissora com seu modelo de debate e o candidato esquisitão que brilhou na noite passada.

Parece que será um 2018 de muito sofrimento para quem aguarda a campanha eleitoral acreditando que ela pode ser o começo de uma mudança de ambiente no Pais, caso, claro, os acontecimentos de ontem reflitam o nível do que vem pela frente quando todos estiveram autorizados a ganhar as ruas atrás da conquista dos votos dos brasileiros. Vai ser necessário que a coisa piore muito para que chegue a um nível que possamos classificar como ruim.

1 comentário

  • Paulo disse:

    Não sei se é por conta da crise, interesses imundos ou algum motivo alheio à minha imaginação? Mas vem a minha mente a lembrança ao nobre escritor e a grande imprensa em geral que o sr. Lula não é candidato a nada, fora a nóia esquizofrência vontade petista.

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