Política

Ciro nega apoio a Haddad num 2º turno: “Não é mais possível andar com o PT”

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Candidato Ciro Gomes (PDT) critica Fernando Haddad e PT e nega apoio ao partido em um segundo turno (Foto: Agência Brasil)

O presidenciável Ciro Gomes (PDT) disse nesta sexta-feira que não apoiará Fernando Haddad (PT) num eventual segundo turno entre o petista e o candidato do PSL, Jair Bolsonaro.

“O PT contou comigo ao longo dos últimos 16 anos, até o impeachment da Dilma”, respondeu o ex-governador do Ceará durante entrevista à Rádio Guaíba, do Rio Grande do Sul.

“Na medida em que eles se juntam com o Renan Calheiros”, continua Ciro, “e que estão juntos no Ceará com o Eunício Oliveira, que tem mais de um bilhão de reais de contratos fraudulentos com a Petrobras, não é mais possível, para mim, andar com eles na política”.

Dias antes, o ex-prefeito de São Paulo havia afirmado em debate com candidatos ao Planalto que esperaria contar com o apoio do cearense caso avançasse para a etapa seguinte das eleições.

A vice na chapa petista, Manuela D’Ávila, do PCdoB, também vem acenando com esse entendimento.

Ciro, todavia, descarta essa possibilidade e assegura: vai disputar sua última eleição. É a primeira vez que o pedetista rejeita categoricamente uma aliança com o PT na briga pelo Planalto.

A fala do pedetista, que figura em terceiro nas pesquisas de intenção de voto até aqui – Bolsonaro lidera os levantamentos, à frente de Haddad –, também causa estragos no Ceará.

No Estado, o governador Camilo Santana (PT) se mantém neutro na corrida presidencial. Aliado formal do PDT, Camilo tem sido pressionado a declarar voto no candidato do seu partido.

Como elemento complicador, o governador está empenhado na campanha à reeleição do senador Eunício (MDB), criticado por Ciro na entrevista.

O veto do ex-ministro a Haddad e ao partido de Lula pode causar estragos na relação de Ciro e seu grupo político com o governador Camilo.

Localmente, o chefe do Executivo bancou apoio ao emedebista contra a vontade de parte dos irmãos Ferreira Gomes e do PDT no Ceará.

Como o grupo estivesse rachado – Cid e Ivo Gomes, por exemplo, chegaram a declarar voto em Eunício -, o petista seguiu ao lado do presidente do Senado, com quem faz campanha na Capital e no Interior.

Nacionalmente, o gesto de Ciro é interpretado principalmente como uma tentativa de atrair o voto antipetista que embarcou na candidatura de Bolsonaro.

O cearense vem tentando se cacifar como uma terceira via alternativa à polarização entre o capitão da reserva e Haddad. A estratégia, no entanto, tem dificuldade de decolar.

A pouco mais de uma semana das eleições, Ciro investe as suas últimas fichas no esforço de mobilizar o eleitorado indeciso e aquele cuja preferência ainda pode se alterar.

Ouça a entrevista de Ciro Gomes (PDT), candidato à Presidência, à Rádio Guaíba, do Rio Grande do Sul: 

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