Política

Dois dos seis maiores doadores de Camilo têm contrato com o Governo

Doadores de campanha do governador à reeleição mantêm contratos com o Estado (Foto: Evilázio Bezerra/O POVO)

Dois dos seis maiores doadores individuais para a campanha à reeleição do governador Camilo Santana (PT) têm contratos com o Governo do Ceará.

Cesar Wagner Madeira Coelho de Alencar destinou R$ 100 mil para o petista no último dia 19/9.

Coelho é proprietário de uma empresa que fornece refeições prontas servidas à população carcerária das cadeias públicas do Interior.

Celebrado com a Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado (Sejus) e com previsão de encerramento no próximo dia 23 de novembro, o contrato tem valor de R$ 6.917.716,53.

Responsável por doação de R$ 70 mil à campanha do governador repassada no dia 25/9, Idalina Sampaio Muniz Gomes de Mattos é sócia-majoritária de companhia que distribui quentinhas para quatro penitenciárias e quatro casas de custódia.

Entre as unidades abastecidas com as refeições preparadas pela empresa da doadora, estão as Casas de Privação Provisória de Liberdade I, II e III, além do presídio de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza.

Idalina foi ouvida pelo Ministério Público do Estado (MPE) no âmbito da Operação “Masmorras Abertas”, que investiga esquema de fraude no sistema penitenciário do Ceará envolvendo a cúpula da Sejus. O depoimento foi tomado em junho passado. O processo corre sob segredo de justiça.

Deflagrada em 16 de abril deste ano, a operação do MPE “cumpriu ordens de afastamento das funções públicas de servidores ligados à Sejus e mandados de busca e apreensão pessoais, residenciais e nos locais de trabalho dos envolvidos”, segundo nota do órgão divulgada à época.

Os mandados foram expedidos pelo juiz de Itaitinga, Cristiano Silva Sibaldo de Assunção.

Procurada, Idalina Sampaio disse ao Blog Política que foi interpelada pelo MPE na condição de testemunha.

“Me perguntaram (os promotores) como foi que entrei no sistema penitenciário e passei a servir comida. Apenas sirvo alimentação. Tenho uma grande empresa que emprega muita gente. Não me fizeram perguntas sobre esses rapazes”, disse, referindo-se às pessoas que foram afastadas de suas funções na cúpula da Sejus no curso da operação.

Entre os alvos estavam o titular e o adjunto da Coordenadoria do Sistema Penitenciário (Cosipe), o diretor-adjunto da CPPL I e o diretor da CPPL II.

O Blog Política fez contato com a Sejus para comentar o assunto.

Foram duas tentativas, ambas por meio da assessoria de imprensa: a primeira na sexta-feira da semana passada, 28/9, e a outra na segunda-feira, dia 1º de outubro. Não houve retorno até agora.

Todas as informações utilizadas nesta matéria estão disponíveis no sistema de consulta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Portal da Transparência do Governo do Estado.

Até agora, a campanha de Camilo à reeleição arrecadou R$ 3.875.824,50.

Excluindo-se os repasses feitos por PT e PDT, os dois maiores doadores individuais de Camilo são o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Beto Studart, que encaminhou R$ 600 mil ao petista, e o senador Eunício Oliveira (MDB), que também doou R$ 600 mil.

Estas são as primeiras eleições disputadas após veto do Supremo Tribunal Federal (STF) à doação empresarial, em 2015.

Pela decisão da Corte, os repasses individuais para candidatos só podem ser feitos respeitando-se o limite de 10% dos ganhos pessoais declarados no ano anterior.

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