Política

O que explica o crescimento de Jair Bolsonaro na reta final da campanha

Jair Bolsonaro (PSL) amplia vantagem sobre Fernando Haddad (PT) na disputa pela Presidência da República (Foto: Agência Brasil)

 

Três fatores alavancaram o crescimento de Jair Bolsonaro (PSL) na pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira.

O primeiro foi o salto na preferência de voto do eleitorado em três regiões do Brasil.

Sudeste, onde o deputado federal avançou cinco pontos e foi a 36%, contra 14% de Fernando Haddad (PT).

Sul, região na qual o militar cresceu nove pontos e atingiu 44% das intenções, ante 14% do petista.

E Nordeste, onde o candidato de Lula oscilou negativamente dois pontos, ficando com 36%, enquanto o nome do PSL passou de 16% para 20%.

O segundo fator a impulsionar Bolsonaro foi a ampliação de vantagem do parlamentar nas faixas de renda de cinco a dez salários mínimos, na qual bate Haddad por 51% a 12%, e acima de 10 salários mínimos, segmento no qual lidera com 44% ante 15% do ex-prefeito de São Paulo.

E o terceiro fator: o capitão da reserva cresceu seis pontos percentuais entre mulheres, que são a maioria do eleitorado (52%).

Nessa faixa, Bolsonaro foi a 27% contra 20% de Haddad.

Na pesquisa anterior, divulgada na última quinta-feira, 28/9, o petista vencia por 22% a 21%.

Bolsonaro melhorou desempenho entre mulheres logo após as manifestações convocadas pelo movimento “Ele não”, no sábado.

No dia seguinte, os aliados do capitão foram às ruas para defendê-lo.

A quatro dias das eleições, a vantagem do líder das pesquisas ampliou-se a ponto de alimentar a perspectiva de uma vitória no primeiro turno. É possível?

As chances são baixas, mas não descartáveis.

Se se configurar uma onda pró-Bolsonaro nos próximos dias, tal como a se que se viu na eleição do tucano João Doria em São Paulo em 2016, esse cenário se torna menos remoto.

Combinados, os resultados de Datafolha e Ibope vão produzir estragos na campanha de Geraldo Alckmin (PSDB), que aparece com 9%.

À frente do paulista, Ciro Gomes (PDT) mantém-se agarrado a 11%.

Em queda livre, Marina Silva (Rede), com 4%, está a dois pontos de ser ultrapassada por João Amoêdo (Novo), que tem 3%.

Há ainda os indecisos e os brancos.

Para liquidar a fatura de cara, Bolsonaro precisaria desidratar Alckmin, Marina e Ciro de uma tacada.

É uma tarefa difícil para candidato cuja rejeição é de 45%.

A corrida eleitoral, todavia, não parece fácil de prever. Dias atrás, supunha-se que as sucessivas declarações do vice de Bolsonaro, Hamilton Mourão, causariam danos à campanha do militar.

Não foi o que se viu.

Bolsonaro cresceu após a sua pior semana, quando, às denúncias de revistas e jornais sobre ameaças à ex-esposa, se somaram as mobilizações de mulheres e as críticas em debates na televisão.

Nada disso arranhou o deputado.

De agora em diante, Haddad, que vinha poupando Bolsonaro, precisará recalibrar essa estratégia para evitar que o deputado chegue tão forte ao segundo turno – se houver segundo turno.

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