Sincronicidade

Uma Rosa Marrom no jardim do Carmelo

Façamos nosso êxodo / Saiamos de nós mesmos / Tomemos o caminho / Com toda esperança // Conseguiremos viver / Esse pacto de amor / Meditando Sua lei / Com a perseverança // Fazer Deus transparecer / Em toda a nossa vida / É a finalidade / Da nossa aliança.

Luciano Dídimo

[Luciano Dídimo. A Rosa Marrom. Editora: Sagrada Família/Instituto Horácio Dídidmo, 2020. Trecho do poema A Aliança, p. 29]

Da bela fotografia que me proporcionou a oportunidade de contemplar, por alguns instantes, as caudalosas águas da majestosa Cachoeira da fumaça, meus olhos se voltaram para a leitura de um poema que teve o condão de me fazer imergir em águas de outra natureza: “Jardim fechado, florido / Austeridade escolhida, querida / Evangélica abnegação // Oásis no deserto, na secura, / Na montanha, na noite escura, / Com Deus uma misteriosa união // Na doação, na comunhão / No sacrifício, na dedicação / É onde está a beleza desta vocação // Missionário pela oração e fraternidade / Apóstolo do amor e da espiritualidade / Carmelo, água viva da contemplação” (p. 62).

E foi assim que, das águas, vi, aos poucos, desabrochar uma rosa. Não uma rosa qualquer, mas uma rosa de tonalidade bem diferente, única, singular. A rosa que somente poderia desabrochar quando regada pela “água viva da contemplação”, A Rosa Marrom. Suas pétalas foram, gradativamente, despontando, inebriando-me com versos poéticos do mais alto quilate, à medida que eu me deixava conduzir pelo jardineiro, o poeta Luciano Dídimo.

Logo mais eu descobria que aquela flor, sendo única, paradoxalmente era muitas, pois da grande flor marrom outras tantas desabrocharam e continuam desabrochando: “Somos flor do Carmelo / De Santa Teresinha / Somos comunidade / Nascemos da Rainha // Somos Flor da Igreja / Cada petalazinha / Exala o perfume / Da querida Mãezinha // A Virgem Maria / Senhora do Sorriso / É flor de Teresinha // No jardim do Grande Rei / A pequena Teresa / É a sua florzinha” (p. 66).  

É assim A Rosa Marrom, do poeta Luciano Dídimo, um livro feito rosa ou, antes, uma rosa metamorfoseada em livro. Composta por 72 poemas e belamente ilustrada com fotografias de André Fachetti Lustosa, a publicação, cujo lançamento resultou de uma parceria entre a Editora Sagrada Família e o Instituto Horácio Dídimo de Arte, Cultura e Espiritualidade, é uma obra que transita entre a poesia e a oração, como muito bem disse o Frei Patrício Sciadini, ocd, no Prefácio: “Antes de tudo diria que as suas poesias são orações que podem nos ajudar no nosso caminho espiritual e humano. Desde a primeira sobre a aliança até a última sobre São José, passando pela Igreja, pelo Carmelo e pelos santos do Carmelo – breves sínteses de espiritualidade que despertam em nós o desejo de ler os escritos dos místicos do Carmelo e de viver com maior intensidade e amor a nossa vida de compromisso. A Virgem Maria, Mãe do Carmelo, ocupa um lugar especial e é para nós mestra que nos leva sempre a Jesus. Cada poesia-oração deve ser meditada e rezada, seja pessoalmente seja também comunitariamente” (p. 19).

O autor, Luciano Dídimo Camurça Vieira, nasceu em Fortaleza-CE, em 22.02.1971. É casado e pai de cinco filhos. Graduado em Administração de Empresas pela Universidade Estadual do Ceará e em Direito pela Universidade de Fortaleza. É servidor Público Federal do TRT da 7ª Região. É presidente do Instituto Horácio Dídimo de Arte, Cultura e Espiritualidade (IDH), presidente da Academia Brasileira de Hagiologia (ABRHAGI), membro fundador e vice-presidente da Academia Brasileira de Sonetistas (ABRASSO), dentre outras instituições de que é membro. É autor do livro de poemas “A Rosa da Certeza” e organizador de diversas coletâneas literárias.

André Fachetti Lustosa, a quem cabe o crédito pelas belíssimas fotografias que ilustram cada poema, é natural de Cachoeiro de Itapemirim-ES. É presidente e membro fundador do Grupo Caminho do Monte Carmelo, da Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares (Província São José). “Formado em Direito, após 20 anos como advogado, alguns tantos como professor universitário, passou a fazer da sua fotografia uma nova forma de expressão e, a partir de 2011, seu trabalho exclusivo e sua diversão diária”.

Para concluir, parodiando o próprio autor do livro aqui comentado, neste dia 22 de fevereiro de 2021, Luciano, sem notar, aportou nos cinquenta (Soneto Cinquenta anos: https://www.youtube.com/watch?v=DLT3OxAY_AU). Em outro soneto, intitulado O Caminho, escreve o poeta sonetista: “Desde a nossa concepção / Deus nos chama a um caminho / O qual é a nossa vocação // Sempre em todos os encontros / Escutamos o seu chamado / Mesmo não nos sentindo prontos // Abandonemos nossas prisões / E sigamos dóceis Àquele / Que transforma nossos corações” (p. 37).

Não sei se o Luciano, ao completar meio século de existência, já se sente pronto para atender ao chamado de Deus. De qualquer maneira, não acho que essa seja uma questão à qual ele dê atenção. Pronto ou não, ele há muito atendeu ao chamado, dizendo um firme e decidido SIM à vocação de semeador de flores poéticas pelos caminhos por onde passa, sejam eles férteis ou desérticos. A Rosa Marrom pode muito bem ser considerado um itinerário poético que o autor nos convida a seguir, em sua companhia, rumo à união com o Bem Amado.

Contatos com o autor: E-mail: lucianodidimo@gmail.com – Whatsapp: (85)98895-5966

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