A Fundação Waldemar Alcântara (FWA), através da Coleção Obras Raras, torna disponível para pesquisadores, professores, estudantes e aos interessados na história de nossa região títulos incomuns, e amplia o acervo com o qual contempla o resgate de registros marcantes do processo de formação de nossa cultura. A Coleção é composta dos livros “O Ceará”, de autoria de Raimundo Girão e Martins Filho, “Boletim de Antropologia”, organizado pelo Dr. Thomaz Pompeu Sobrinho, e o “Diário de Viagem”, de Francisco Freire Alemão, transcrito dos originais do autor, cujo título leva seu nome.
01. Digressões de um bibliófilo
“Crestomatia”, o moderno livrinho que sai hoje a lume, exige, antes de tudo, que lhe façamos a apresentação ao colendo professorado, à mocidade estudiosa de nossa terra. Qual a sua razão de ser? “Preencher uma lacuna” eis o lema de todas as obras congêneres, ao surgirem a público. Sem embargo, labora em erro bem grave, quem acreditasse preenchidos os claros de nossa biblioteca didática. Dia a dia, novas lacunas se abrem, que tresdobram proporcionalmente às exigências sempre crescentes da pedagogia escolar, às alterações dos programas, às inovações e melhoramentos da moderna metodologia.
Radagasio Taborda
[Taborda, Radagasio. Crestomatia: excertos escolhidos em prosa e verso dos melhores escritores brasileiros e portugueses. 29ª. ed. Rio de Janeiro, Porto Alegre, São Paulo: Globo, 1958, p. XXVII.]
Um dia a menina Maria Violina das Notas de Poucas Bolinhas conheceu uma rabeca
encantada. Quando tocado, o instrumento fazia as coisas ruins ficarem boas e as boas
ficarem ainda melhores. Com a rabeca, Violina saiu tocando e fazendo, a seu modo,
um mundo mais alegre. Agora, a dupla animada passeia por uma feira e se depara com
um novo personagem, o Zé do Adubo. É a partir desses três que se desenrola o livro
“Violina vai à feira”, o segundo título da série As aventuras de Violina, da escritora Adriana
Alcântara.
Noite alta, início da madrugada. Embora mantenha os olhos hermeticamente fechados, continuo acordado. A perda do sono e a escuridão do quarto liberam minha imaginação na busca de imagens e fatos há muito perdidos na imensidão do tempo. Meu pensamento, como um trem expresso, se desloca em velocidade vertiginosa em direção ao passado e faz escalas não programadas em épocas e lugares distantes. E eu, passageiro insone, aos poucos localizo, nos recônditos esconderijos da memória, as lembranças mais remotas de minha existência.
Seridião Correia Montenegro.
[Montenegro, Seridião Correia. O expresso do passado. – Fortaleza: Tiprogresso, 2010, p. 23.]
O que uma criança poderia desejar além de tudo isso? Irmãos queridos (mesmo brigando de vez em quando), um pai sempre presente e uma mãe dedicada que sustentava nosso lar com seu trabalho e sabedoria! Ao final deste dia, tão parecido com meu pai – simples e singelo, mas também autêntico e cheio de significado -, quando eu abraçava papai, só podia sentir uma coisa muito profunda no meu coração, que não dava para ser explicada. Por isso eu dizia somente: “gosto tanto de meu pai que sinto até uma firuleza!”.
“Clélio de Benjamim”
[Mesquita, Clélio Kramer de; Oliveira, Suzana Kramer de Mesquita. Benjamim: um homem simples, que fez as escolhas certas e foi abençoado. – Fortaleza: Premius, 2011, p. 12.]
O cearense nasce, vive e morre na rede amiga, que é a companheira de todas as horas de descanso e de fazer amor. Antes de dormir, se há calor, tem o balanço para refrescar, ao ranger de armadores.
No sertão, a gente vê, às vezes, à margem do caminho, aqueles cortejos fúnebres que transportam, numa rede, o defunto, e, quando não é afortunado, a rede volta para servir à família. No sertão e nas serras, eles transportam também os doentes, em redes, que seguem protegidos por um guarda-sol.
Se há goteira, muitas vezes, é armada outra rede por cima de outra mais alta, aberta com cabos de vassouras, formando um toldo. O balanço da rede também serve para embalar as dores do mundo. Com a convivência, a gente acha a posição para ler, dormir, coçar o dedinho do pé, para descansar e amar.
Roberto Gaspar
[Gaspar, Roberto. A menina do vaporub ou o amor na hora do angelus. 2ª. ed. Fortaleza: Tipografia Progresso, 2011. A Rede da Goteira, p. 37.]
Certa vez, ao final de um show no bistrô que ficava dentro da loja Modern Sound, em Copacabana, fiquei escutando enquanto uma repórter entrevistava a grande cantora da bossa nova Leny Andrade. A repórter fez uma daquelas perguntas de praxe sobre se a cantora sentia algum nervosismo em dia de estreia etc., e Leny nem esperou que ela terminasse. Foi logo dizendo: “No instante em que piso no palco, estou segura. É como chegar em casa.”
Ao ouvir isso, lembrei-me de uma frase parecida que já ouvi de Ruy Castro, ao falar sobre como se sente dentro de uma livraria: “Tenho a sensação de que, ali dentro, nada de mal pode me acontecer. Eu me sinto cercado de amor.” Segundo ele, há uma explicação para isso: é que as pessoas que se envolvem com livros – escritores, editores, livreiros, compradores – são, em 90% dos casos, apaixonadas por leitura. Donde, os livros transpiram esse amor.
Heloisa Seixas
[Seixas, Heloisa. O prazer de ler. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2011, Capítulo: Um lugar de amor, p. 37. – (Prazeres).]
A crítica literária, por muito tempo tida como periférica ou mesmo irrelevante aos estudos bíblicos, emergiu desde meados da década de 1970 como um novo foco importante de estudos bíblicos acadêmicos na América do Norte, Inglaterra e Israel, e tem mostrado alguns sinais notáveis na Europa. É natural, portanto, que nosso empreendimento deva ser internacional. Nosso colaboradores vêm de cátedras de ensino (com duas exceções, de universidades seculares) nos Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Israel, Itália e Holanda. Alguns estão envolvidos, pela fé, com os textos que estudam, ao passo que outros se veriam essencialmente como críticos seculares. Mas falam uma linguagem crítica comum, pois as diferenças entre eles derivam muito mais da sensibilidade individual e da preferência intelectual, do que de antecedentes religiosos. Em muitos casos, procuramos recrutar escritores que já tivessem dado alguma contribuição notável a este campo de pesquisa, mas não hesitamos em recorrer também a vários estudiosos mais jovens cujo trabalho inicial nos pareceu bastante promissor. O volume, então, é um ponto de encontro não apenas de nacionalidades e credos, mas também de gerações acadêmicas. A variedade de perspectivas resultante, juntamente com a unidade de propósito geral proporcionam um panorama vívido de mais de mil anos de atividade literária diversa representada na Bíblia.
Robert Alter e Frank Kermode
[Alter, Robert e Kermode, Frank (Organizadores). Guia Literário da Bíblia. Tradução Raul Fiker; revisão de tradução Gilson César Cardoso de Souza. – São Paulo: Fundação Editora da UNESP, 1997, p. 16. – (Prismas)]
Algo nos inquietava. Precisávamos de rotinas e condutas no Serviço adaptadas à nossa cultura e realidade e não apenas copiadas de textos internacionais ou oriundos do Sul e Sudeste do País.
A partir de uma revisão iniciada pela Dra. Ticiana Rolim, então residente do Serviço, passamos a estabelecer condutas padronizadas nas enfermarias e ambulatórios de gastroenterologia do HGF. Com o passar dos anos, o nosso protocolo de condutas cresceu e se consolidou no Hospital e passamos a distribuí-lo, no início de cada ano, aos médicos, médicos-residentes e estudantes que conosco trabalhavam.
Esse ano decidimos ousar. Convocamos colegas do Serviço e ex-residentes do HGF para revisar os textos e ampliá-los para que pudéssemos dividir a nossa experiência ao longo desses anos com toda a comunidade médica do Ceará. Não escrevemos um compêndio nem uma obra acabada. Trata-se de um pequeno guia de condutas, adaptado à nossa realidade e embasado em experiências já publicadas, que possa ser conduzido, como um amigo e orientador inseparável, no dia a dia das enfermarias e ambulatórios.
Por fim, como não somos felinos e não poderemos ensiná-los o pulo do gato, tentaremos apenas ensinar O PULO DO GASTRO.
Dr. Sérgio Pessoa
[Pessoa, Francisco Sérgio Rangel de Paula. O pulo do gastro: manual de rotinas e condutas em gastroenterologia. – Fortaleza: Premius, 2010, p. 7]
Embora não haja consenso sobre a questão de sua origem, se a alquimia surgiu primeiro na China ou no Egito do período helenístico, não há dúvida de que, no mundo ocidental, sua tradição remonta a este último local e época e que o grego foi a primeira língua em que os textos alquímicos foram elaborados. Assim, é curioso que, desde seu início, a alquimia helenística estivesse imbuída da crença de que devia sua origem a uma ciência sagrada e secreta de tradição judaica, ou hebraica. Uma das formas assumidas por essa crença, mas sem nenhuma comprovação histórica, era a criação de uma pré-história bíblica e mítica para a alquimia; uma outra era a frequentemente proclamada, mas historicamente não comprovada, afirmação de que os judeus eram os únicos que estavam na posse de um verdadeiro conhecimento alquímico.
Por outro lado, existe comprovação histórica de que, em meio aos alquimistas do período helenístico, havia vários adeptos judeus, um dos quais Maria, a Judia, considerada por eles como a fundadora de sua arte. Zózimo e outros constantemente se referem a Maria como a autoridade suprema, tanto em termos da teoria quanto da prática da alquimia, e seus ensinamentos, em muitos casos na forma de concisos aforismos, são citados como se fossem pronunciamentos proféticos.
Raphael Patai
[Patai, Raphael. Os alquimistas judeus: um livro de história e fontes. Tradução Maria Clara Cescato e Diana Souza Pereira. – São Paulo: Perspectiva, 2009, p. 99. – (Perspectivas / direção J. Guinsburg)]
