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Vasco Arruda

Na jornada contínua em busca da unidade plena, a Igreja Católica Romana e as Igrejas de Comunhão Anglicana têm, por muitos anos, considerado inúmeras questões relativas à fé que compartilhamos e a maneira como a articulamos na vida e na adoração nas nossas duas famílias de Fé. Submetemos as Declarações de Acordo à Santa Sé e à Comunhão Anglicana para comentários, esclarecimentos adicionais, se necessário, e união de consentimentos que sejam harmoniosos com a fé de anglicanos e católicos romanos.
Ao organizarmos estas Declarações de Acordo, concentramo-nos nas Escrituras e na tradição comum que antecede a Reforma e a Contra-Reforma. Como nos documentos anteriores da Comissão Internacional Anglicano-Católica Romana – ARCIC, procuramos usar uma linguagem que reflita o que temos em comum e que transcende as controvérsias do passado. Ao mesmo tempo, nesta Declaração temos de enfrentar definições dogmáticas que são parte essencial da fé dos católicos romanos, mas que são em grande parte estranhas à fé dos anglicanos. Os membros da ARCIC, com o passar do tempo, empenharam-se na aceitação da maneira de fazer teologia de católicos e anglicanos e consideraram, juntos, o contexto histórico em que certas doutrinas foram desenvolvidas. Ao fazer isso, aprendemos a ver de nova maneira nossas próprias tradições, iluminadas e aprofundadas pela compreensão e apreciação das tradições de cada um.
Alexander J. Brunett, Arcebispo de Seattle, EUA; Peter F. Carnley, Arcebispo de Perth e Primaz da Igreja Anglicana da Austrália
[Comissão Internacional Anglicano-Católica Romana. Maria: Graça e esperança em Cristo. Tradução Débora Balancin. São Paulo: Paulus, 2005. -Prefácio dos co-presidentes, p. 5. – (Coleção oikoumene)]

Vasco Arruda

(…) o simples fato de alguém viver a vida simbólica tem uma influência extraordinariamente civilizadora. Essas pessoas são bem mais civilizadas e criativas por causa da vida simbólica. As pessoas apenas racionais têm pouca influência; tudo nelas se resume a discurso e com discurso não se vai longe.
C. G. Jung
[Jung, C. G. A vida simbólica: escritos diversos. Tradução de Araceli Elman, Edgar Orth; revisão literária de Lúcia Mathilde Endlich Orth; revisão técnica de Jette Bonaventura. – Petrópolis, RJ: Vozes, 1997. – (Obras completas de C. G. Jung; v. 18/1) III. A vida simbólica, p. 282.]

Vasco Arruda

Então a mãe dos filhos de Zebedeu, juntamente com seus filhos, dirigiu-se a ele, prostrando-se, para fazer-lhe um pedido. Ele perguntou: “Que queres?” Ao que ela respondeu: “Dize que estes meus dois filhos se assentem um à tua direita e o outro à tua esquerda, no teu Reino”. Jesus, respondendo, disse: “Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que hei de beber?” Eles responderam: “Podemos”. Então lhes disse: “Sim, bebereis de meu cálice. Todavia, sentar à minha direita e à minha esquerda, não cabe a mim concedê-lo; mas é para aqueles aos quais meu Pai o destinou”.
Mateus 20,20-23

Vasco Arruda

Senti muito quando se proibiu a leitura de muitos livros em castelhano, porque alguns muito me deleitavam, e eu não poderia mais fazê-lo, pois os permitidos estavam em latim; o Senhor me disse: Não sofras, que te darei livro vivo. Eu não podia compreender porque Ele me dissera isso, pois ainda não tinha tido visões. Mais tarde, há bem poucos dias, o compreendi muito bem, pois tenho tido tanto em que pensar e em que me recolher naquilo que me cerca, e tenho tido tanto amor do Senhor, que me ensina de muitas maneiras, que tenho tido muito pouco ou quase nenhuma necessidade de livros. Sua Majestade tem sido o livro verdadeiro onde tenho visto as verdades. Bendito seja esse livro, que deixa impresso na alma o que se há de ler e fazer, de modo que não se pode esquecer.
Santa Teresa d´Ávila
[Livro da Vida, p. 171. Em: Teresa de Jesus. Obras Completas. Texto estabelecido por Fr. Tomas Alvarez, O.C.D. Direção Pe. Gabriel C. Galache, SJ. Tradução de Adail Ubirajara Sobral e outros. – São Paulo: Edições Carmelitanas: Edições Loyola, 1995.]

Vasco Arruda

Termo grego com o qual, no Novo Testamento, indica-se a transformação da própria identidade pessoal depois de uma experiência que transforma os valores até então adotados pelo indivíduo.
Jung retoma o termo para indicar o fenômeno de crise psicológica através do qual sucede a inversão radical de todos os valores sobre os quais está ordinariamente fundamentada a existência de um homem. A ilustração clássica da metanoia dá-se por ocasião da análise do limiar que liga e distingue a primeira e a segunda metade da vida: nessa fase de passagem pôr-se-iam na sombra todos os valores sobre os quais o indivíduo está fundamentado, e contemporaneamente pôr-se-iam em luz outros valores que estão em oposição com aqueles.
Paolo Francesco Pieri
[Pieri, Paolo Francesco. Dicionário junguianop. Tradução de Ivo Storniolo. – São Paulo: Paulus, 2002, Verbete: Metanoia, p. 323. – (Dicionários

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Vasco Arruda

O que uma criança poderia desejar além de tudo isso? Irmãos queridos (mesmo brigando de vez em quando), um pai sempre presente e uma mãe dedicada que sustentava nosso lar com seu trabalho e sabedoria! Ao final deste dia, tão parecido com meu pai – simples e singelo, mas também autêntico e cheio de significado -, quando eu abraçava papai, só podia sentir uma coisa muito profunda no meu coração, que não dava para ser explicada. Por isso eu dizia somente: “gosto tanto de meu pai que sinto até uma firuleza!”.
“Clélio de Benjamim”
[Mesquita, Clélio Kramer de; Oliveira, Suzana Kramer de Mesquita. Benjamim: um homem simples, que fez as escolhas certas e foi abençoado. – Fortaleza: Premius, 2011, p. 12.]

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Vasco Arruda

Ó Jesus, trespassaram vosso lado para nos abrir uma porta; feriram vosso coração para nos abrir nessa sagrada vinha, um asilo seguro de toda perturbação externa. O verdadeiro, o grande motivo para a ferida de vosso coração foi fazer-nos compreender, por meio dessa chaga visível, a chaga invisível de vosso coração… A lança que não traspassou apenas o corpo, mas também golpeou o coração, atesta a chama ardente de vosso amor, e não há nada que valha um tal testemunho.
São Boaventura
[São Boaventura. Vitis mystica, III. Em: Sgarbossa, Mario. Os santos e os beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente: com uma antologia de escritos espirituais. Tradução Armando Braio Ara. – São Paulo: Paulinas, 2003, p. 137.]

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Vasco Arruda

Maria conserva e medita a Palavra em seu coração. Em sua vida a Palavra ainda semente encontra terreno propício para germinar, crescer e dar frutos.
Nossa Senhora é o exemplo concreto da Parábola do Semeador: Aqueles que recebem a semente em terra boa escutam a palavra, acolhem-na e dão fruto, trinta, sessenta e cem por um. (Marcos, 4,20).
Maria escuta e não deixa escapar a mensagem, ela acolhe – acolher é receber com amor – e conserva o que foi revelado em seu íntimo, meditando-a em seu coração… em terra boa.
O coração – na Sagrada Escritura – representa o centro da alma, a pessoa toda inteira sem divisão. É lá que Maria, dia e noite, macera os desígnios de Deus, medita. A vida da mãe de Deus é constante oração.
(…)
O primeiro passo para imitarmos Maria é termos intimidade com a Palavra. É a paixão e o amor pela Sagrada Escritura que fazem com que o Verbo de Deus se encarne em nossa carne e assim nos tornamos fecundados pela Palavra.
Pe. Luís Erlin
[Erlin, Luís. Imitação de Maria: o segredo de sermos agraciados por Deus. São Paulo: Editora Ave-Maria, 2008, p. 73-74.]

Vasco Arruda

O cearense nasce, vive e morre na rede amiga, que é a companheira de todas as horas de descanso e de fazer amor. Antes de dormir, se há calor, tem o balanço para refrescar, ao ranger de armadores.
No sertão, a gente vê, às vezes, à margem do caminho, aqueles cortejos fúnebres que transportam, numa rede, o defunto, e, quando não é afortunado, a rede volta para servir à família. No sertão e nas serras, eles transportam também os doentes, em redes, que seguem protegidos por um guarda-sol.
Se há goteira, muitas vezes, é armada outra rede por cima de outra mais alta, aberta com cabos de vassouras, formando um toldo. O balanço da rede também serve para embalar as dores do mundo. Com a convivência, a gente acha a posição para ler, dormir, coçar o dedinho do pé, para descansar e amar.
Roberto Gaspar
[Gaspar, Roberto. A menina do vaporub ou o amor na hora do angelus. 2ª. ed. Fortaleza: Tipografia Progresso, 2011. A Rede da Goteira, p. 37.]

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Vasco Arruda

Uma síntese das escatologias Daniélica e Profética é realizada por Jesus somente na medida em que Ele identifica o Filho do Homem com o Messias da linhagem de Davi. Ele, que é ele mesmo um descendente de Davi, espera ser transformado no Messias Filho do Homem na vinda do reino. Deste modo, Ele soluciona o problema criado pela transcendentalinidade da Escatologia – como o Governador dos Tempos do Fim pode ter uma origem humana, e ao mesmo tempo ser um ser sobrenatural. No Templo de Jerusalém Ele propõe isto para os Escribas como um enigma, perguntando-lhes como é possível para Davi chamar seu descendente de ‘ Senhor’.
Albert Schweitzer
[Schweitzer, Albert. O misticismo de Paulo, o apóstolo. Com uma Nota de Prefácio por F. C. Burkitt, F.B.A., D.D. Tradução de Paulo e Judith Arantes; Revisão de Cláudio J. A. Rodrigues. São Paulo: Fonte Editorial Ltda., 2006, p. 122.]