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Leigo exorta secretário-geral da CNBB: "pedimos discernimento".

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Em entrevista ao programa Romaria da Rádio Vaticano para o Brasil o secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil -CNBB, dom Leonardo Steiner, ao ser indagado sobre a situação político econômico do Brasil, repetiu o discurso adotado pela esquerda de que o Governo interino de Michel Temer é “ilegítimo”. “Vivemos no Brasil um momento político e econômico preocupante. Temos um Presidente interino, um governo que está governando, mas sem a legitimidade da Constituição até ser julgado o impedimento”.

Dom Leonardo Steiner

Dom Leonardo Steiner

No decorrer da entrevista o bispo falou da importância de diálogo, da reserva ética da CNBB, que é procurada por diversos políticos e pessoas da sociedade,  mas afirmou que a Conferência  não possui interlocução com o atual Governo interino.”No Executivo nós não temos uma interlocução no momento por se tratar de um Governo interino, que está apenas no exercício de mandato, mas não efetivo no sentido de reconhecido pela Constituição”. O bispo seguiu a entrevista falando sobre corrupção, Cunha réu do STF,Olimpíadas,governo do Rio de Janeiro e comportamento machista do brasileiro.

Paulo Vasconcelos Jacobina.

Paulo Vasconcelos Jacobina.

As declarações do secretário-geral da CNBB – que falou como tal na entrevista – não repercutiram bem no meio católico em geral. O leigo e magistrado Paulo Vasconcelos Jacobina, em análise escrita para a Agência Zenit – língua portuguesa, avaliou as declarações de Dom Leonardo como, “ofensa à sadia autonomia das realidades temporais”. “Os leigos não atuam na política por delegação clerical, mas em nome próprio. Assim, quando um bispo, mormente em nome da Conferência Episcopal, denuncia um ‘golpe’ ou o rompimento da ordem institucional e jurídica ali onde ela não existiu, invade o que não é de sua atribuição e desconsidera, de modo injusto, a responsabilidade política dos leigos católicos“, escreveu o articulista.

Paulo relembrou a recente declaração do Papa Francisco quando disse, de modo muito veemente, que “a porta de entrada Igreja é o batismo, e não a ordenação episcopal ou sacerdotal”. “Assim, fica afastada qualquer possibilidade de que a Igreja caia num clericalismo, vale dizer, que os sacerdotes, em razão de sua condição de ordenado, imagine-se mais competente ou mais capaz do que os leigos batizados para aquilo que é próprio dos leigos, ou seja, o papel de, ‘por vocação própria, buscar o reino de Deus, ocupando-se das coisas temporais e ordenando-as segundo Deus'”(Lumen Gentium)”.

O leigo pede que o clero respeite o laicato em sua esfera legítima. “Causa preocupação, portanto, que um Bispo, com alto escalão na CNBB e falando como tal, venha agora publicamente fazer afirmações tais como a de que houve um “golpe” no Brasil, ou de que o atual governo não tem legitimidade ou suporte constitucional. Ao fazê-lo, ele não simplesmente ofende todos os batizados que trabalham no Estado, como toda a classe política que também é composta de eventuais bons católicos e no limite, ofende a todos os brasileiros que se esforçam por cumprir a lei e obedecer ao governo. Porque, no limite, a um governo golpista ou ilegal, que tivesse se instalado mediante desrespeito à Constituição, nós, leigos católicos – em especial os que fazem parte da magistratura, como eu – teríamos o dever de resistir, para fazer prevalecer a ordem lesada”.

 

 

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