Artesanato da Mente

Um caso de amor com o celular

Há poucos dias ouvi uma entrevista muito interessante com a jornalista e escritora Leila Ferreira na qual ela falava sobre “A arte de ser leve”, temática de um dos seus livros mais vendidos.

Num determinado trecho da entrevista ela falou algo que me chamou bastante atenção. Ela conta sobre a pesquisa de um dinamarquês que estuda o cérebro e que citou nesse livro.

Nessa pesquisa ele fez um mapeamento do cérebro de diversas pessoas e constatou que a relação com o celular é algo muito, mas muito superior a um vício. Ele percebeu que quando o celular tocava, a região do cérebro que era ativada era a ligada ao campo das emoções fortes de reencontro com pessoas amadas. Tipo aquela alegria de rever um amigo que não vê há anos ou a alegria de rever o namorado ou a namorada depois de uma viagem por conta do trabalho!

Em outras palavras, a relação com o celular virou um CASO DE AMOR.

Precisamos refletir com muito cuidado em relação a isso, porque da mesma forma que esse amor está sendo canalizado para o aparelho eletrônico, está havendo em muita gente um arrefecimento do amor real, da presença física, do olho no olho.

Inclusive, recentemente fiquei sabendo que uma pessoa que tenho um carinho enorme sofreu a dor de um término de namoro através de uma mensagem de whatsapp! Você tem noção do que é terminar um relacionamento através do whatsapp? Isso deve ser dilacerante para a pessoa que foi rejeitada.

Aliás, tenho certeza absoluta de que esse não se trata de um caso isolado. Se olharmos principalmente o mundo dos adolescentes, que nasceram e cresceram nesse boom dos celulares cada vez mais modernos e com recursos avançados!  Dentro da realidade deles, os namoros estão, se duvidar, bem mais virtuais do que reais.

Outro dia, lendo o livro lançado recentemente do jornalista Milton Jung chamado “É proibido calar!”, ele cita uma experiência com seus filhos que lhe deixou encucado. Foi a um restaurante e lá estavam ele com a esposa e filhos, e também outra família cujos filhos que estudavam com os dele, ou seja, os garotos eram amigos da escola.

Na hora de irem embora, um dos filhos nem se despediu dos amigos e voltou pra casa direto com o celular na mão e conversando no whatsapp. Daí ele meio que perguntou por que ele não se despediu dos amigos! Então ele respondeu que não precisava, pois ainda estava continuando a conversa com eles no celular e chegando em casa ainda continuaria através dos joguinhos online…

Já pensou que coisa maluca? Em minha opinião, se relacionar dessa maneira é no mínimo estranho! Não estou querendo julgar esse comportamento, até porque o próprio Milton Jung fala nesse livro que tem dificuldade de entender também. Estou apenas contando um exemplo de como está sendo a realidade principalmente dos adolescentes de hoje!

Nessa hora eu me volto para um dos temas que mais bato na tecla nos textos do blog. O EGOÍSMO. Essa tendência a se relacionar muito mais virtualmente do que ao vivo tem agudizado esse mal chamado egoísmo. Muitos não tem ideia do estrago que fazem a si mesmas e aos outros ao se isolarem dessa maneira!

Tenho certeza que parte do aumento exponencial de pessoas com DEPRESSÃO está relacionada com isso. Perceba! Ao se isolar, se relacionando dessa forma virtual, é como se você estivesse no meio de uma multidão, mas ao mesmo tempo sozinho, solitário, ansiando por carinho, por trocas mais verdadeiras de energia!

A Psicologia e hoje em dia até a Neurociência vem provando que precisamos nutrir nossos afetos de forma real, com abraços, beijos, conversas olho no olho, distrações compartilhadas etc. Sem isso, literalmente, nossos emoções adoecem em primeiro lugar, e tempos depois o corpo físico adoece pelo processo de psicossomatizações.

Quero propor com esse breve texto a mesma ideia transmitida pela querida Leila Ferreira, a arte de ser leve. Que tal você hoje mesmo ou quem sabe ao longo dessa semana em que lê esse texto, ligar para os amigos queridos e dizer assim: “Galera! Vamos sair! Vamos para aquele parque lindo do bairro tal pra jogarmos conversa fora! Mas com um detalhe. Se for, é pra deixar o celular desligado. Combinado!…”.

Com atitudes simples como essa, você estará oferecendo a si mesmo um remédio muito mais eficiente do que qualquer fármaco. Você estará injetando AMOR diretamente nas suas veias e artérias. E sabemos bem que o amor cura tudo, já nos dizia o mestre dos mestres Jesus Cristo.

Que esse amor se traduza em gestos, e que esses gestos sejam o começo de uma revolução no qual todo esse egoísmo dê lugar à generosidade, à partilha, ao encontro fraterno com todos…

Pense com carinho em tudo isso! E para refletir um pouco mais, compartilho esse lindo vídeo que me inspirou a escrever esse texto. Vale a pena conferir…

 

 

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