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Inadimplência: qual seu impacto no meu negócio?

(Foto: Caio_Triana/Pixabay)

Um dos perigos que pode afetar a empresa é a inadimplência. Saiba como identificar e veja dicas para solucionar o problema

Em meio à caminhada no mundo dos negócios, o empreendedor está suscetível a inúmeras situações de dificuldade. Umas delas é a inadimplência. E como agir nessa hora? Na maioria das vezes, o gestor se preocupa com estoque, fluxo de caixa, parcerias, capital de giro e acaba esquecendo que pode ser afetado por problemas com prazos de pagamento.

Para o economista Kyssieh Oliveira*, o impacto mais direto da inadimplência é o desequilíbrio de fluxo de caixa. “Se é feita uma previsão de fluxo de caixa e ela não se realiza, o impacto negativo é direto e isso, naturalmente, tende a causar outros problemas”. Ele acrescenta que o empreendedor necessita acionar uma ação de cobrança, e isso demanda custos. “A própria inadimplência gera um prejuízo financeiro, pelo não recebimento de um valor e gera um aumento de custo financeiro na hora de acionar a cobrança”.

O economista cita como exemplo, o deslocamento até uma via judicial, que demanda custos, mesmo que estes sejam repassados para o inadimplente, ainda gera desequilíbrio no fluxo de caixa, causando danos à gestão financeira do negócio.

Como o empreendedor chega nessa situação?
O administrador e especialista em Finanças e Controladoria, Roges Oliveira**, observa que a maioria dos empresários não consegue mensurar a real inadimplência do negócio, como também não entende os seus reais motivos ou causa raiz. “Ele acaba por recorrer a capital de recursos, na maioria das vezes, muito caro e de curto prazo, realiza ações diminuindo a liberação de crédito para novos clientes ou desiste do negócio por acreditar que não terá ganhos bons e efetivos.”

Para Kyssieh, os empreendedores não conhecem, ou conhecem de uma forma muito superficial, o prazo médio de recebimentos e pagamentos. “O ideal na hora de analisar e controlar o fluxo de caixa é saber trabalhar com prazos médios. Digamos que o gestor compra um produto do fornecedor para pagar em 15 ou 30 dias. O desembolso para obter essa mercadoria é muito rápido, e para ser competitivo, o empresário vende em até seis vezes”.

O economista diz que essa situação gera desequilíbrio nos prazos médios. “O prazo médio de pagamento para os fornecedores é de 30 dias e o prazo médio de recebimento é 90. Há um hiato de 60 dias entre um e outro que o capital de giro tem que bancar. Se este não for suficiente, o empreendedor entra em uma armadilha, pois estica o prazo de recebimento de venda e precisa de capital extra na hora de pagar o fornecedor.

Segundo Kyssieh, esse problema é percebido por poucos empresários, que notam a situação apenas em uma consultoria. “O prazo médio é algo que deveria ser melhor observado pelo empreendedor”, pontua.

O que fazer?
Em geral, a inadimplência é prevista. “Na montagem de um orçamento, o gestor deve planejar um faturamento e um fluxo de caixa contemplando um percentual de inadimplência que deveria ser no máximo 3%, que já é bastante alto”, observa Kyssieh. Ele adverte que o ideal é trabalhar na casa dos 0,5%, mas isso depende de cada negócio, e uma vez não conseguindo vislumbrar e projetar a inadimplência, ela pode vir num patamar muito alto.

“Isso a longo prazo pode resultar em insolvência, quando o devedor deve mais do que recebe. Recomendo um cuidado extremo que começa com o equilíbrio do fluxo de caixa, com o estudo bem dimensionado dos prazos médios a pagar e a receber e o controle disso em função de projeções”, aconselha o economista.

“Projete uma inadimplência, porque ela vai acontecer e faça com que seja a menor possível”, adverte.
Vender por caderneta ou fiado é um risco muito alto. O mais seguro é a emissão de boleto, assegura o economista, porque há um resguardo e toda parte jurídica está contemplada pois o banco faz toda a gestão e isso tende a dar mais segurança ao empreendedor.

Kyssieh fala da importância de fazer um acompanhamento diário e incisivo. “Todos os dias, via fluxo de caixa, é necessário observar o que estava previsto para entrar e o que entrou, ver diariamente o que estava previsto para pagar e o que foi pago”. No fluxo de caixa é feito o controle de rotina. Quando for percebido que a inadimplência passou do patamar aceitável é hora de fazer a ação de inserção de tomada de decisão para corrigir o problema.

Dicas de Roges Oliveira
O primeiro passo é entender, mensurar e verificar os impactos gerados na operação de sua empresa. Diante disso, pode ser gerada uma série de ações:

• Revisar os canais de crédito que estão sendo concedidos, como também os prazos;
• Fazer uma possível revisão da carteira de clientes que estão sendo atendidos, focando nos clientes que geram rentabilidade para o negócio;
• Avaliar o tamanho da necessidade de capital de giro que deverá ser utilizada
• Incluir na precificação dos produtos e serviços os impactos ocorridos pela inadimplência;
• Quando viável, utilizar-se das vias judiciais para recuperação deste crédito.
• As empresas podem fazer ações de recuperação de dívida, dando descontos nos juros e multas cobrados, ou até mesmo perdoando parte da dívida, pelo menos para suprir o custo investido.

*Kyssieh Oliveira* é consultor do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresa do Estado do Ceará (Sebrae/CE)
**Roges Oliveira é consultor do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado do Ceará

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