Plínio Bortolotti

Estados Unidos condenam prisão de jornalistas, mas fazem o mesmo no Iraque

Os militares dos Estados Unidos mantêm sob custódia no Iraque o cinegrafista da agência de notícias Reuters, Ibrahim Jassam, desde setembro de 2008.

A justificativa de que ele representa “uma grande ameaça para a segurança”, ainda que não tenham sido feitas acusações formais, e um tribunal iraquiano tenha exigido a libertação do jornalista por falta de provas, segundo informações de Liz Sly para o jornal Los Angeles Times.

Sly destaca o fato de que o governo do presidente Barack Obama criticou duramente o Irã pela prisão da jornalista iraniana-americana Roxana Saberi, que foi posta em liberdade há duas semanas.

A secretária de Estado americana Hillary Clinton havia classificado o tratamento dado por Teerã a Saberi como “não transparente, imprevisível e arbitrário”.  Os Estados Unidos também pedem que a Coréia do Norte acelere o julgamento de duas jornalistas americanas acusadas de espionagem.

Apesar de acusar os outros países, o governo americano “tem utilizado sistematicamente as faculdades arbitrárias, que assumiu depois dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, para prender, sem acusações, jornalistas no Iraque, assim como no Afeganistão e Paquistão”, escreve Sly, que cita o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).

Nenhum desses jornalistas detidos foi declarado culpado por qualquer acusação, minando a reputação dos Estados Unidos quando critica outros países sobre o cerceamento da liberdade de imprensa, acrescenta Sly, citando o diretor executivo do CPJ, Joel Simon.

“Os Estados Unidos têm um histórico de deter jornalistas por longos períodos sem o devido processo e sem explicação”, declarou Simon.

Estudiosos da mídia americana, analisando o destaque dado ao caso de Roxana Saberi, dizem que os meios de comunicação deveriam estar mais preocupado em opor-se  às  infrações à liberdade de imprensa do governo dos Estados Unidos do que de outros países.

[Do blog de notícias do Knight Center]

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