Política

Fernando Haddad precisa vir ao Ceará buscar Ciro; e para ontem

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Ciro precisa estar no centro da campanha (Foto: Carlos Holanda/Especial para O POVO)

Sejamos claros logo de partida: a preço de hoje, candidatura de Fernando Haddad (PT) contra Jair Bolsonaro (PSL) não vai nada bem. Saindo do primeiro turno atrás, com 29,28% contra os 46,03% do capitão, o petista já entra na disputa carregando ainda o peso do desgaste petista e a vitória de um Congresso muito pouco afeito às suas ideias.

Isso significa que é impossível para o candidato reverter o quadro? De forma alguma. Segundo turno, como já ficou convencionado dizer, é outra eleição. E nessa nova disputa, é fundamental ajustar o discurso de olho naquilo que ficou de fora na primeira rodada. Aquilo, no caso, toma forma hoje como o vencedor da disputa no Ceará, Ciro Gomes.

Não falo aqui apenas no mero aceno ao eleitorado de Ciro, fechado no domingo em 12,47% dos votos. Até pela proximidade dos discursos, já é esperado que maior parte desses eleitores migrem para o candidato petista naturalmente. Para vencer Bolsonaro, Haddad precisa convencer também eleitores menos radicais de Bolsonaro – sim, eles existem aos montes.

Figura das mais marcantes no 1º turno pelas propostas inusitadas e debate programático, Ciro pode, no centro da coordenação da campanha petista, emprestar a Haddad talvez o que mais faltou na campanha do adversário no 1º turno: Protagonismo. Até agora, o candidato petista não conseguiu passar imagem além de “mensageiro” sob a sombra de Lula e fiel defensor do ninho petista.

A situação desagradaria a militância, mas, se planeja bater Bolsonaro, Haddad precisa se afastar do ex-presidente e dos velhos caciques e começar a trilhar caminho próprio rumo ao centro – buscando até FHC e setores democratas do PSDB. O lulismo, hoje maior que o PT, é bom para fortalecer laços entre convertidos, mas fala muito pouco para os não adeptos.

Em síntese, apoio de Lula levou Haddad para o segundo turno, mas não o garante na posse de 1º de janeiro. Se quiser convencer o eleitorado não radicalizado, o petista precisa abandonar a retórica de ataque ao Judiciário e às elites e buscar a moderação. Ciro, que passou o 1º turno inteiro insistindo pelo debate de propostas, precisa estar no centro disso.

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