Ancoradouro

Melquior, Meu Rei é Luz

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As sete crônicas de Natal – 3

 Acredita-se pela tradição que foram três os Reis que visitaram o Menino Jesus, já que a Sagrada Escritura não informa o número, entanto pela quantidade de presentes afere-se este número. É são Beda, o Venerável (673-735), que no seu tratado Excerpta et Colletanea descreve quem seriam estes Reis e a partir destas informações nos uniremos a cada um destes viajantes em sua Jornada.

 Melquior

 Melquior era o mais velho, possuía cerca de setenta anos, de cabelos e barbas brancas, partiu de Ur, terra dos Caldeus. Seu nome significa “Meu Rei é Luz”. Não existe como olhar para esta figura e não recordar dos patriarcas do Antigo Testamento, não foram estes também peregrinos da história que desejaram e esperaram ardorosamente a vinda do Messias?

 Ur dos Caldeus abrigou o nosso pai da fé Abraão. Em sua idade senil Deus lhe fez uma promessa “Tornar-te-ei extremamente fecundo, farei nascer de ti nações e terás reis por descendentes (Gen 1,6).” Na obediência da fé foi que Abraão, atendendo ao apelo divino, partiu para uma terra que devia receber em herança e partiu não sabendo para onde ia” (Cf: Hb 11,8), Melquior seguiu uma estrela, sem saber também onde esta o levaria. Nesta peregrinação já se pode perceber que bagagem indispensável é a fé, no seu sentido estrito e bíblico “A Fé é garantia antecipada do que se espera, a prova de realidades que não se vêem (Hb 11,1)”. É a isto que o Senhor nos chama uma fé incondicional, um lançar-se em seus braços amorosos tendo a certeza de que Ele nos amparará.

 Costume antigo era o de oferecer presentes Àquele que se ia visitar. Na bagagem de Melquior, Ouro, metal precioso e reluzente símbolo da realeza e era aos reis que se presenteava com este mimo. Oferecer o ouro implicava em reconhecer a realeza de outrem e de certa forma revelava cordialidade entre Reinos, desejo de pacificação, agrado, submissão.

 Jesus é Rei e isto não se deveu a algum episódio em sua vida, desde nascido era Rei. O poder de sua realeza atraiu os reis. Herodes diante do mistério não consegue enxergar a realidade, pensa no reinado do Messias como tantos outros na época imaginavam, como algo meramente deste mundo. Teme, e movido de insegurança, tenta a todo custo eliminar o novo Rei, que era esperado pelo povo, aclamado nas orações e salmos davídicos.

 Diante deste Rei somos como um pêndulo, podemos variar entre a submissão dos reis ou a estultícia de Herodes. Na segunda opção impele-nos nosso orgulho que avulta-se e nos interpela, como nos curvar diante de Rei tão fraco, tão humilde. À primeira opção move-nos a certeza que nossa vida está escondida em suas mãos, nossa felicidade consiste em nos colocar em total obediência a Ele e à sua vontade.

 Depositemos diante do Senhor o ouro de nossa existência, toda ela, com seus eventos especiais e em sua realidade comum. Tudo deve está submisso a Cristo e a seu senhorio. É preciso compreender que o reinado de Cristo não é deste mundo, embora já neste mundo ele comece a realizar-se. O Papa Bento XVI em seu livro Jesus de Nazaré, afirma, retomando uma concepção de Orígenes que, o Reino de Deus é o próprio Jesus.

 O Reino e o reinado de Deus não é algo exterior ou independente de Cristo, estar presente Nele. Ele é o Reino de Deus que se encarnou no nosso meio. Ainda afirma o santo padre que já na gruta de Belém se pode vislumbrar a sombra da cruz. A encarnação do Verbo encontro seu cume no mistério pascal.

 Nós também somos mergulhados, embora na vivência comum no mistério pascal do Senhor. Daí a importância de estarmos nesta jornada com o coração centrado na Páscoa do Senhor, é a melhor forma de vivermos o Natal. O mistério de Cristo é um só. Com Melquior nos aproximemos deste Rei, cujo trono é uma manjedoura, sua riqueza é a pobreza, seu domínio é o esvaziamento.

 Com o Menino Deus aprendamos à obediência perfeita e o abandono irrestrito, o mesmo que somos chamados em nossa vocação. Nesta peregrinação deixemos nosso coração inclinar-se de seu trono e encontre a alegria de ser o feliz terceiro e aprenda a configurar-se com Cristo, que sendo rico fez-se pobre.

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