Discografia

Uma esquina que se renova

01 SamLo4-2380A década de 1990 já ia pela metade, quando Lô Borges estava gravando um disco feito a base de violões e percussões que ganharia o nome de Meu Filme. No meio da produção, durante uma festa no município mineiro de Montes Claros, ele ouviu uma música que logo chamou sua atenção. Era Te Ver, hit da banda Skank, gravada no álbum Calango. O reggae de letra romântica fisgou de tal forma, que ele saiu do meio das pessoas, pegou um violão e criou um arranjo “kardekiano”, ainda em tempo de ser incluído no disco.

Tempos depois, em outra festa, encontrou o autor de Te Ver, seu conterrâneo Samuel Rosa, e ambos trocaram elogios e admirações. Ali nasceu uma amizade, que gerou um show que ficou sem registro e algumas parcerias espalhadas pelos discos de ambos (eles ainda gravaram Você Fica Bem Melhor Assim, numa versão mais pesada, para um especial da MTV em 1999). Essas sementes plantadas em cerca de 20 anos floresceram no projeto Samuel Rosa & Lô Borges – Ao Vivo no Cine Theatro Brasil, gravado em 2015 e lançado este ano pela Sony Music.

42301Neste primeiro projeto de Samuel Rosa sem o Skank, estão músicas que marcaram a trajetória da banda mineira, principalmente depois da virada sonora do disco Maquinarama (2000). Foi a partir desse trabalho que o quarteto deixou o reggae e o dancehall para se aproximar do rock inglês, tendo como maior influência os Beatles. E é impossível falar na influência dos garotos de Liverpool na música brasileira sem citar o Clube da Esquina, movimento de onde saiu Lô Borges. Com essa aproximação, eles dividem o repertório com canções como Feira Moderna, Resposta, Paisagem da Janela e Amores Imperfeitos.

“As minhas músicas (no projeto) são as que povoaram o universo do Samuel. Sinto um enorme prazer em ver o Samuel cantando Clube da Esquina, Um Girassol da Cor do Seu Cabelo. E, pra ele, é um grande prazer me ver cantando Sutilmente, por exemplo”, comenta , que se diverte com as diferenças entre os parceiros. Uma delas ficou evidente logo no início, justamente na regravação de Te Ver. “(Na época) nossa música ainda não tinha uma convergência natural. Era mais difícil criar uma proximidade. Minha geração era mais ligada à harmonia. Te ver (original) tinha dois acordes e eu fiz com 20. Dei ‘loborgiada’ nela”, brinca.

No entanto, mais que diferenças, eles afinaram semelhanças e este primeiro registro em parceria revela sutis afinidades que enriquecem o show. Além de mineiros e beatlemaníacos, e Samuel são amigos e parceiros que gostam de se encontrar e compor olho no olho. “Não é interativo, é presencial”, confirma o membro da família Borges que mal tinha 20 anos quando foi convidado por Milton Nascimento para dividir um álbum. E esse padrinho é um dos convidados do novo projeto, cantando Para Lennon e McCartney. “O Milton pra mim é o cara a quem devo minha carreira. Ele me tirou da esquina física, onde eu estava tocando violão e rasgava minhas calças jeans. A primeira vez que entrei num estúdio foi com ele”, lembra.

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Outra convidada do projeto é Fernanda Takai, que joga ainda mais doçura em Balada do Amor Inabalável. “Ela é da geração do Samuel. Foi uma escolha natural. Ela participou do meu (disco) Horizonte Vertical. Ela ia gravar uma só, mas foi ficando, gostando de outras e fez quatro”, comenta Lô Borges. Já o Skank não entrou para que ficasse marcado de que é um projeto paralelo de Samuel. “Já participei de projetos do Skank, mas a gente queria fazer uma outra coisa”, confirma . Ainda assim, ele adianta que não estão se transformando numa dupla sertaneja. Existe plano para um novo encontro, talvez de estúdio, talvez com canções inéditas. Mas ainda são só planos. “É uma coisa que está começando agora, está sendo apresentado para o Brasil agora, mas não tem prazo para terminar. Faço meus shows solo e, nos intervalos, fazemos em parceria”.

 

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