Leituras da Bel

Uma garota viajando no trem

 

Cena do filme que será lançado em novembro

Cena do filme que será lançado em novembro

Rachel é uma jovem desajustada, alcoólatra e que não conseguiu superar o fim do casamento. Todos os dias viaja de trem até Londres para, supostamente, trabalhar. A verdade é que ela mente para a colega de apartamento. Foi demitida e diariamente faz o percurso até a capital inglesa para ficar vagando por parques, praças, restaurantes e bares. Não tem coragem contar aquilo que realmente aconteceu. E passa as tardes entre atualizações pontuais no currículo, procuras de emprego e bebedeiras. Filme inspirado no livro será lançado em novembro.

A imaginação fértil de Rachel garante que ela não sucumba o tempo inteiro. Enquanto faz o trajeto, observa as casas e as paisagens que beiram a estrada. É o único momento do dia no qual ela é humana. Da janela, descreve para o leitor os campos, as cores e a doçura dos locais. É como se o espectador estivesse ao lado dela, no trem. Esse é um dos méritos do livro A Garota do Trem: transpor as imagens da mente conturbada de Rachel. A obra foi escrita pela britânica Paula Hawkins e vai virar filme, com lançamento previsto para 24 de novembro de 2016.

Rachel, em um passado recente, foi moradora de uma daquelas casas. Na impossibilidade de acessar o território, ela a vida de um jovem casal. Cria nomes, profissões, hábitos. Projeta nos dois a vida que gostaria de ter tido. Certo dia, ela vê uma cena chocante e, de espectadora passiva, se transforma em possível testemunha de um crime. A narrativa do livro, de fato, é leve e feita para captar a atenção. Capítulo após capítulo, temos pistas e queremos encontrar o culpado (ou os culpados) pelo assassinato.

A personagem, entretanto, tem uma personalidade irritante. Ela bebe compulsivamente, mesmo após prometer para si e para os outros que não fará mais isso. É fácil sentir raiva de Rachel, apesar dela não ser uma personagem integralmente bem construída. Os lapsos de memória, quando a bebedeira apaga as lembranças recentes, também colaboram com a antipatia em relação a personagem. Cada “apagão” de Rachel significa menos pistas para o leitor. Aos poucos, temos que montar um quadro. E aguardar que ela seja esperta o suficiente para entender os acontecimentos que se passaram.

Além de Rachel, duas outras personagens femininas têm destaque: Anna e Megan. A ponte entre as três é inevitável. Em comum, todas têm relacionamentos conturbados e abusivos. Como uma obra dedicada a leitura superficial, A garota no trem funciona de forma satisfatória. Quando a história final é relevada, o resultado é surpreendente.

Serviço
A garota no trem
Autora: Paula Hawkins
Tradução: Simone Campos
387 páginas
Preço: R$ 37,90

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