Leituras da Bel

Gylmar Chaves investiga o amor

Poeta Gylmar Chaves (Foto: Sheila Rodrigues/Divulgação)

Por Talles Azigon (da página Poesia Brasileira)

De certo modo, romanticamente falando, todos os poemas falam de amor – na perspectiva de amor ser aquilo que move. Logo, das literaturas todas, a poesia – nossa amiga, amante, irmão, mãe, prima – é a mais cinética. Move corpos, indignações, mexe no formigueiro dos desejos. Um poema “bole” a existência.


De se mover, Quase que, novo livro do poeta e escritor Gylmar Chaves, vive. Através dos poemas desse livro, o amor ganha formas, modela-se, desmodela-se, em diferentes tempos, configurações, e intensidades do suposto “amar”. Afinal, como o próprio subtítulo da obra insinua, são 100 poemas e suas possibilidades afetivas, sabendo afeto ser justamente a força capaz de retirar qualquer coisa de estado de tédio. Inclusive afeto não é simplesmente uma força, afeto é em si a própria força.

Gylma Chaves é, do mesmo modo de sua obra, um poema móvel. Sem tanto tempo para as veleidades das academias, investe boa parte de sua vida em ir de encontro das/dos seus leitores, e, também, de inventar suas leitoras/leitores. Por isso já circulou boa parte do Brasil, indo a diversas cidades, comunidades, bairros – sejam eles de vasta populações, ou simples vilarejo e seus pés de cajus.

É um poeta pesquisador, tanto dos traços e sentimentos diversos das gentes diversas desse país, como pesquisador assíduo de livros e publicações. Já fez investigações minuciosas sobre personalidades importantes de nossa história – como a icônica Bárbara de Alencar. Hoje se debruça com afinco de um estudioso sobre a história e as concepções do amor.

O Livro Quase que é um desses solos da paixão, quando a orquestra toda cessa, para um instrumento chorar todas as notas desesperadas de seu organismo apaixonado. Publicado pela Chiado Editora, uma casa de publicação portuguesa, a obra do cearense de Limoeiro do Norte será lançada no dia 7 de junho no Ideal Clube.

Serviço
Lançamento do livro Quase que, de Gylmar Chaves
Quando: 7 de junho, às 19h30min
Onde: Ideal Clube Av. Monsenhor Tabosa, 1381 – Meireles. Fortaleza-CE
Entrada gratuita

 

Capa do livro (Foto: Talles Azigon) 

Confira poemas presentes no livro:

PINTURA
As ruas de Limoeiro,
o casarão de dona Totonha,
o rio Jaguaribe. Como ver agora?
Certos amores
deixam a gente sem paisagem

CLAUSURA
Veio um homem
à cratera da minha cama,
disse-me coisas,
fados e canaviais.
Quando foi embora,
me demorei
para um novo alguém.
De quando em vez,
a gente se deixa fechar as portas,
levar nossas chaves

CONSTRUÇÃO
Horizontal
é a arquitetura
dos desejos.

BIOGRAFIA
Minha mãe
cortou minhas unhas
e colocou dentro de um livro.
Era para eu ficar estudioso.
Então misturei as palavras
e me tornei poeta.
Aos 12 anos
me apaixonei,
fiquei com o coração meio torto,
emagreci.
Foi a paixão que me dividiu a infância.

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