Leituras da Bel

André Marinho, editor da Trama, fala sobre nascimento e caminhos da nova casa editorial

Um lançamento mexeu com o mercado editorial brasileiro no último mês. Estou falando da Trama, um novo braço do Grupo Ediouro. A proposta é clara: oferecer o melhor em thrillers e fantasy da literatura internacional. De fato, a nova casa editorial já chegou cercada de empolgação. Os dois primeiros lançamentos – Onde está Daisy Mason?, de Cara Hunter, e O último sorriso na cidade partida, de Luke Arnold – estão ganhando elogios múltiplos dos leitores. O editor André Marinho atendeu uma solicitação do blog Leituras da Bel e respondeu uma entrevista. Ele fala sobre como a pandemia afetou a nova empreitada, sobre os projetos futuros – que incluem um possível concurso para descoberta de escritores brasileiros! -, sobre os próximos lançamentos e sobre a responsabilidade de ser o editor da Trama.

Leituras da Bel – O momento do mercado editorial brasileiro é muito delicado. Qual o desafio de lançar uma nova empreitada diante dos desafios que as editoras estão vivendo atualmente?

André Marinho – O lançamento da Trama havia sido planejado para o início de 2020, e a pandemia de fato nos pegou de surpresa. Mesmo cientes das incertezas do presente e das dificuldades do mercado, tínhamos avançado tanto no projeto, desde a concepção até a produção, que chegou uma hora em que colocá-lo na rua era a escolha mais evidente. Para que isso acontecesse, tivemos de nos reinventar: por exemplo, nossa estratégia de divulgação antes completamente calcada em eventos presenciais teve que ser adaptada para o on-line, e isso acabou se revelando algo muito positivo, pois o contato com autores, agentes e mesmo leitores ficou bem mais estreito. Acredito que essa reinvenção tenha sido o maior desafio para o lançamento de um novo selo editorial tão arrojado quanto a Trama, e continuará sendo não apenas um desafio constante, mas o novo modus operandi a partir de agora.

André Marinho, editor da Trama (Foto de Sergio Santoian)

Leituras da Bel – Como é formado o time de curadores/editores da Trama? Como são selecionados os livros?

André Marinho – Bem, eu sou o único editor da Trama, mas nós temos a felicidade de contar com a consultoria da Trini Vergara, que tem sua base editorial nos mercados de língua espanhola e muitíssima experiência na área. O trabalho de prospecção de títulos para a Trama é feito por nós dois, e as duas pontas contam com uma equipe de pareceristas que nos auxiliam nas avaliações. Temos alguns critérios na escolha dos livros, como a relevância do tema e se a narrativa prende até o final, e assim vamos indicando aqueles que mais nos interessaram um para o outro. Quando coincide de as duas equipes fazerem uma avaliação positiva, sabemos que é a hora de fazer uma oferta pelos direitos de publicação.

Leituras da Bel – Como aconteceram as ligações internacionais da Trama com editoras estrangeiras?

André Marinho – O presidente do Grupo Ediouro, Jorge Carneiro, é amigo de longa data da Trini, e em uma feira literária em que se reencontraram acabaram compartilhando a vontade de iniciar uma linha de publicação para literatura de entretenimento, focada em fantasia e thrillers. Ali foi o germe da Trama e da Trini Vergara Ediciones, duas editoras irmãs respectivamente alcançando os mercados brasileiro e de língua espanhola. O fato de a Trama pertencer a um grande grupo editorial também contribui para a receptividade dos clientes e agentes internacionais.

Leituras da Bel – Até agora, vocês têm falado bastante na mídia sobre livros estrangeiros que serão traduzidos. Mas há desejo de publicar autores nacionais também? Algum escritor brasileiro em vista?

André Marinho – Num primeiro momento a Trama vai se concentrar em trazer para os leitores brasileiros o melhor em thrillers e fantasy da literatura internacional, mas pensamos para um futuro próximo a publicação de autores brasileiros desses gêneros, sem dúvida. Por enquanto não temos especificamente nenhum escritor em vista, a ideia é promover um concurso literário para identificar esses novos autores.

Leituras da Bel – Como o público recebeu o Selo Trama? Quais reações vocês têm sentido do público leitor?

André Marinho – Essa é a parte mais legal, eu acompanho todas as nossas redes diariamente, leio todos os comentários e a cada dia fico mais entusiasmado com o retorno tão positivo que estamos recebendo. Os leitores sugerem, opinam, compartilham, demonstram ansiedade pelos próximos lançamentos… alguns até mesmo se autointitulam “Tramers”, eu acho isso fantástico! É algo que dá energia para nos empenharmos ainda mais. Nossos dois primeiros lançamentos, Onde está Daisy Mason?, de Cara Hunter, e O último sorriso na cidade partida, de Luke Arnold, estão sendo muitíssimo elogiados pelos leitores, e nossa intenção é que eles encontrem na Trama um lar onde serão bem recebidos e poderão desfrutar de entretenimento de máxima qualidade.

Leituras da Bel – O que o público pode esperar dos próximos lançamentos da Trama?

André Marinho – Olha, tem muita coisa boa chegando na Trama, viu? Tem livro que vai virar série de TV, tem thriller sobre diversidade, tem série policial sueca, tem fantasia com gostinho de “sessão da tarde”, tem livro que se passa na China, tem thriller de tribunal e também a série de fantasia épica mais aguardada dos últimos tempos, isso só para contar um pouquinho. Quem ainda não entrou na Trama não vai querer ficar de fora!

Leituras da Bel – Como foi iniciar um projeto que já chega como um grande player no mercado editorial?

André Marinho – Nossa expectativa sempre foi a de difundir a leitura e a cultura ao máximo de pessoas possível, e para tanto contamos com a experiência de uma equipe muito competente e também com a expertise de uma empresa que atua no mercado editorial há mais de oitenta anos, mas é uma grata surpresa perceber a velocidade com que isso está se realizando. É sem dúvida uma grande responsabilidade, e vamos continuar trabalhando para que os leitores possam descobrir em nossos livros – objetos tão singelos e ao mesmo tempo tão universais – novos universos onde, ao menos por algumas horas, possam habitar.

 

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