Plínio Bortolotti

Serra, Dilma e Lula

Caros amigos

Com um dia cheio, não tive tempo de postar antes o artigo publicado noje na editoria de Opinião do O POVO.

A partir desta semana meus textos no jornal passarão a ser semanais. Vou dividi-los com os possíveis leitores. O primeiro deles é este:

Serra, Dilma e Lula
Plínio Bortolotti

“Yes, we can“. O slogan de Barack Obama na campanha que o levou à presidência dos Estados Unidos era um repto à esperança e à mudança.

A frase poderia ser completada ao gosto do freguês: “Sim, nós podemos mudar“; “Sim, nós podemos respeitar os direitos das minorias“; “Sim, nós podemos construir uma sociedade multicultural“; “Sim, nós podemos deixar para trás os anos Bush“; e este, mais específico e implícito: “Sim, nós, os negros, podemos governar“.

O slogan de José Serra (PSDB), mesmo emulando a divisa de Obama, está na casa da resignação. Primeiro, soa impessoal: “O Brasil pode mais“. Apesar de o brasileiro & de modo geral & ter orgulho de seu país, “o Brasil“ pode ser todo mundo, e, ao mesmo tempo, ninguém em especial. O “nós“ é inclusivo, traz a força do grupo, das pessoas que se reúnem em defesa de uma ideia, que estão dispostas à luta.

Depois, se “o Brasil pode mais“ & sempre em relação à leitura do lema -, é porque já acumulou alguma coisa sobre a qual pode se altear. E o que o Brasil conseguiu no governo do presidente Lula – aos olhos do eleitor & revela-se nos seus mais de 70% de aceitação popular, segundo pesquisas.

O que o PSDB oferece não é mudança de rumos, mas diferença de grau, a gerência “mais competente“ do legado de Lula, como fica explícito na defesa que Serra faz do Bolsa Família, por exemplo. Essa política, do ponto de vista do voto, é tão perigosa como combater Lula em campo aberto.

A conta mental que o eleitor faz é a seguinte: se for para melhorar o que está feito, quem já fez sabe melhor como continuar fazê-lo. Para que trocar o certo pelo duvidoso? Eleitor costuma ser um bicho pragmático.

É exatamente a mesma sinuca de bico que o PT viveu em 1998 com o Plano Real. A diferença é que naquela eleição o identificado como o provedor das benesses foi ele mesmo o candidato. Agora, o comandante do governo está fora do páreo.

Dilma Rousseff, portanto, tem a tarefa de convencer o eleitor de que ela é Lula.

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