Plínio Bortolotti

Wikileaks: “De luz e sombras”

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Foto de Drawlio Joca. Veja mais em http://www.flickr.com/photos/drawliojoca/ (clique para ampliar)

Meu artigo semanal publicado na edição de hoje (9/12/2010) do O POVO.

De luz e sombras
Plínio Bortolotti

O site Weakleaks, que virou sinônimo de preocupação para governos de vários países, divulgou também informações que fazem referência a Fortaleza, como se pôde ver na edição de terça-feira deste jornal. Os cabos submarinos de telecomunicação, que passam pelo Ceará e conectam o Brasil aos Estados Unidos, conforme revelam os documentos, seriam “instalações sensíveis” para os americanos, pois poderiam se tornar alvo de terroristas, por isso o temor.

“Wiki”, na linguagem da internet virou sinônimo de interatividade e de sites e portais colaborativos – em que se pode construir desde uma informação até uma enciclopédia online, “em que todos podem editar”, como é o caso da Wikipedia.

O Wikileaks apropriou-se do prefixo, mas não se configura exatamente como um portal de “conteúdo aberto”. A especialidade é vazar (“leak”, em inglês) documentos secretos de grandes empresas e governos, ultimamente, principalmente do governo americano.

Foi em 2007, com a divulgação de um vídeo mostrando um helicóptero americano no Iraque fuzilando civis desarmados que o Wikileaks ganhou destaque mundial.

Esta é a forma de operar do Wikileaks: recebe documentos secretos, preserva a fonte que os repassou, e divulga as informações brutas. O papel de classificá-las e ordená-las tem sido de grandes jornais ao redor do mundo, como New York Times (EUA) The Guardian (Reino Unido), El País (Espanha), Le Monde (França) e a revista Der Spiegel (Alemanha).

É inegável a importância e é fascinante o desvelamento das operações da diplomacia americana. Não restam dúvidas de que a transparência deveria ser a obrigação número um de qualquer governo democrático.

De outra parte, iluminar os desvãos do poder é uma das tarefas primordiais do jornalismo – e creio que, no caso, vem cumprindo bem esse papel. Mas qual é o limite de claridade para que ela não passe a cegar? Creio que essa também pode ser uma pergunta pertinente no momento.

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2 Comentários

  • Roberta disse:

    Com a popularização do Wiileaks, foi possível o acesso a tudo que se diz respeito a visão dos EUA aos demais países. Ele mostra os ”bastidores” da diplomacia americana, e tudo que se passa lá. Essa é uma história de incômodos, e que certamente deve pertubar a todos os envolvidos.

    @robertafd

  • D,Antonio disse:

    Infelizmente, caro Plinio, o mundo não é perfeito. O que foi vazado no wikileaks são relatórios de menor importância e que não são exclusividade dos EUA… qualquer país do mundo produz coisas do mesmo tipo. Na verdade o dono do site teve foi sorte por não ter divulgado nada tão bombastico ou então, ao inves de ser preso, poderia ser morto por um veneno radioativo como o utilizado pelo serviço secreto da Russia ou assassinado pela CIA como fez o serviço secreto de Israel ultimamente.

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