Plínio Bortolotti

Pente-fino para os pobres, vista grossa para os bancos

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Reprodução do artigo publicado na editoria de Opinião, edição de 6/6/2019 do O POVO.

O pente-fino dos pobres

Tornou-se moda no governo – terminologia adotada pelos meios de comunicação – o uso da palavra “pente-fino” para referir-se a auditagens nos programas sociais para a verificar a existência de possíveis pagamentos indevidos. Da Bolsa Família, por exemplo, foram cortados 381 mil benefícios no primeiro mês deste ano, devido a “inadequações” e desligamentos voluntários, segundo o Ministério da Cidadania. O programa atende os muito pobres, com renda máxima até R$ 178 por pessoa da família. Ou seja, qualquer centavo a mais pode tornar o recebimento “inadequado”.

O tal “pente-fino” também foi usado no Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) para a revisão de benefícios, isto é, para dificultar ao trabalhador o acesso a eles. No embalo, a medida provisória fez uma espécie de minirreforma da Previdência, endurecendo regras para o recebimento de aposentadoria rural, auxílio reclusão e auxílio maternidade. Diferentemente das normas de trânsito, que foram afrouxadas, no caso da Previdência elas foram arrochadas.

Mas a pergunta é, por que se passa “pente-fino” nos direitos dos pobres e não se usa o mesmo critério para os ricos? Por que não se faz auditoria na dívida pública brasileira, de R$ 5,5 trilhões, da qual tiram os bancos obscenos proveitos?

Maria Lúcia Fattorelli, coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida, defende a auditagem para revelar o que é “fraudulento, ilegal e inconstitucional” nas contas. Em entrevista ao Jornal do Comércio (RS), ela afirma que pelo menos R$ 1,2 trilhão da dívida pública pode ser classificada como “fraude”, pois são títulos usados pelo Banco Central para remunerar a sobra de caixa de bancos privados. O valor, diz ela, deveria servir para amortizar a dívida, mas é usado para pagar juros.

Fattorelli fez parte da equipe que promoveu uma auditoria no Equador (governo de Rafael Correa), provocando a anulação de 70% da dívida externa do país com bancos internacionais. Para ela, a auditoria na dívida pública brasileira evitaria a necessidade da reforma previdenciária e das privatizações. Mas quem há de ter coragem para fazê-la?

PS. Entrevista de Maria Lúcia Fattorelli para o Jornal do Comércio (RS).

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5 Comentários

  • Alexandre disse:

    Parabéns Plinio, mas uma vez vc nos traz informações verdadeiras, pois acredito cegamente que vc as tenhas checados quanto à veracidade, deste modo pelo que entendi deveríamos deixar a reforma da previdência de lado, bem como a adoção de medidas anti-fraudes nos benefícios já que, nunca antes na história deste país, houve fraude na concessão de auxílio acidente, aposentadoria rural, dentre outros e partir para cima dos Bancos, como fizeram os Grandes ex-presidentes Lula e Dilma. E agora ficou claro também que queda do Império Romano, as1ª e 2ª G Guerras Mundiais, assim, como estalo de dedos do Thanos que dizimou metade da população do universo, no filme Vilgadores, foi culpa do Bolsonaro, do Paulo Guedes e do Moro!!!!!

  • D. Antonio disse:

    Plínio, Plínio… essa senhora chamada Maria Lúcia Fatorelli é piada entre os economistas… não se acompanhe desse povo!
    Auditoria cidadã da dívida é um nome bonito para calote, que a esquerda sempre pede, mas bem sabemos pra onde vão os países que deram calote nas suas dívidas…
    Aí lhe pergunto, como grande petista que és, de onde você acha que saiu essa dívida de 5,5 trilhões? Do governo Bolsonaro? Claro que não! Isso é resultado da política econômica irresponsável do seu PT!
    O valor é alto? É altíssimo! A solução é dar o calote? Depende… para os irresponsáveis, sim… pra quem tem alguma responsabilidade com o país, não! Não repita essas bobagens, pois muita gente lê o que você escreve e não tem conhecimento suficiente criticar esses absurdos!
    Maria Lucia Fatorelli quando fala em auditoria não explica que já tivemos uma CPI de auditoria no início da década e que nada encontrou de errado. Também não explica que a dívida é auditada pelo TCU e pelo Bacen. Ou seja, esse papo é pura retórica de esquerda.
    Você realmente acha que o Equador é referência para o Brasil? Você acha que os “bancos” foram lá exigir que o Governo Federal tomasse empréstimos? Você sabia que grande parte dessa dívida foi feita para capitalizar o BNDES e emprestar o dinheiro subsidiado para empresários ricos financiadores de campanha do PT? Você sabia que esses tais “bancos” que “tiram proveitos obcenos” muitas vezes são os brasileiros de classe média que aplicaram seu dinheiro no tesouro direito? Você está mandando o Governo dar um calote no próprio povo?! Você sabia qua a taxa de juros depende do risco e que dando calote na dívida as taxas de juros vão pros céus?
    Enfim, dessa vez seu texto foi bola fora, apesar de que a maioria dos brasileiros não vai entender a profundidade dele e vai até lhe dar razão…

  • Mirian Belchior disse:

    Nesse DESgoverno, em tudo e por tudo só se privilegia os mais ricos ! É revoltante !

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