Política

“Se eu for ineficaz, eu mesmo peço pra sair”, diz secretário da Saúde de Camilo

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(Foto: O POVO)

Pressionado por prefeitos depois de ter adotado critérios técnicos e vetado indicações políticas para a presidência dos consórcios de saúde, o médico Cabeto, titular da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), disse que sua continuidade no cargo depende de resultados.

“Se eu for ineficaz, eu mesmo peço pra sair. É simples”, declarou em entrevista ao O POVO. “Não precisa o governador me pedir, eu mesmo sairei.”

Questionado se tinha pretensão de deixar a pasta, Cabeto, que é filiado ao PSDB mas se mantém afastado da vida partidária, respondeu: “Em tese, quando se é convidado, é convidado para quatro anos. Mas tudo depende dos resultados. Se eu não conseguir resultados, eu peço demissão imediatamente”.

Cabeto disse ainda que é um “secretário de transição” e que, “quando você entra numa função pública, você tem que ter claro o dia que você vai sair”.

O secretário acrescentou: “Eu sou professor da universidade e é pra lá que eu quero voltar, pra minha carreira acadêmica”.

À frente da Sesa desde o início do ano, Cabeto lamentou também a situação que encontrou na pasta quando a assumiu, em janeiro. Para contornar o quadro, ele promete melhorias.

“Não quero que o próximo gestor receba o que eu recebi”, disse. “Eu recebi uma secretaria que não tem planejamento nem de curto, nem de médio nem de longo prazos, uma secretaria que vive de apagar incêndio, que não usa indicador pra fazer gestão. Uma situação difícil.”

Desde 5 de abril, quando o Abolição, via decreto, impôs normas para o preenchimento de postos nas 21 autarquias de saúde que atuam no Estado, gestores dos consórcios, notadamente os prefeitos, têm se mobilizado para tentar flexibilizar a medida. Agora, o preenchimento de todos os postos de comando (secretaria-executiva e diretorias) é feito por meio de seleção pública.

Na prática, segundo o secretário e as denúncias de deputados estaduais na Assembleia Legislativa, os consórcios se converteram em instrumento de disputa política entre aliados de Camilo no Interior.

O mau uso dos equipamentos ensejou envio de auditorias levadas a cabo pela Sesa para o Ministério Público do Estado e Tribunal de Contas do Estado (TCE) nas últimas semanas.