Sincronicidade

Pai Seráfico, iluminai as trevas do meu coração

cristosd051Ó glorioso Deus altíssimo, iluminai as trevas do meu coração, concedei-me uma fé verdadeira, uma esperança firme e um amor perfeito. Dai-me, Senhor, o (reto) sentir e conhecer, a fim de que possa cumprir o sagrado encargo que na verdade acabais de dar-me. Amém.

[Oração diante do crucifixo. Escritos e biografias de São Francisco de Assis – Crônicas e outros testemunhos do primeiro século franciscano. 4ª. ed. Petrópolis: Vozes, em co-edição com CEFEPAL do Brasil, 1986, p. 130].

Desde que comecei a ler sobre a vida e escritos de São Francisco de Assis, há 21 anos, senti a cada dia crescer em mim o amor e o fascínio pelo “pai seráfico”. É impossível não se sentir tomado de amor e reverência por uma figura de quem emana tanta bondade e consideração por todas as criaturas. Apesar de ter vivido há mais de nove séculos, a mensagem de Francisco permanece atualíssima. Cada episódio de sua rica vida fornece matéria para profundas reflexões, instando-nos de forma irresistível  à conversão e ao amor.

Dando início a um projeto acalentado desde que criei este blog, sempre na terceira quinta-feira do mês abordarei um tema franciscano, embora isso não tenha sido viável no mês em curso, motivo pelo qual o estou fazendo na quarta quinta-feira.

Para iniciar o projeto, escolhi um dos episódios da vida do ‘pobrezinho de Assis’ ao qual mais tenho me dedicado nos últimos anos: a sua conversão, ocorrida diante do crucifixo de São Damião.

São Boaventura, na Legenda Maior, uma das primeiras biografias escritas sobre a vida de São Francisco, narra com as seguintes palavras o episódio: “Francisco saiu um dia da cidade para meditar. Ao passar pela igreja de São Damião, que estava prestes a ruir de tão velha, sentiu-se atraído a entrar e rezar. De joelhos diante do Crucificado, sentiu-se confortado imensamente em seu espírito e seus olhos se encheram de lágrimas ao contemplar a cruz. Subitamente, ouviu uma voz que vinha da cruz e lhe falou por três vezes: ‘Francisco, vai e restaura a minha casa. Vês que ela está em ruínas'” (p. 469).

Atônito com as palavras escutadas, o jovem Francisco ergue-se e trata de pôr mãos à obra, cuidando imediatamente da restauração da igrejinha de São Damião. Só mais tarde perceberia que a Igreja que ele deveria restaurar não era exatamente aquela, mas a Igreja instituída por Cristo.

Sempre que faço uma peregrinação, escolho uma frase para usar como mantra, desde o momento dos preparos iniciais até o meu retorno para casa. Em 2007, durante uma peregrinação a Assis, na Itália, e à Terra Santa, usei desde que iniciei os preparativos até a conclusão da jornada, a oração que, conforme a tradição, São Francisco teria proferido diante do Cristo de São Damião, designação atribuída, desde então, ao conhecido crucifixo diante do qual se deu sua conversão. Mantenho, há muitos anos, uma reprodução deste crucifixo em casa, ao lado do birô em que escrevo este texto. Em Assis, adquiri uma reprodução do mesmo para doá-lo à Igreja de São Francisco da minha cidade, Massapê. O Crucifixo foi entronizado e hoje encontra-se exposto ao lado direito do altar.

Tenho uma fé incomensurável no poder dessa oração, e a ela recorri muitas vezes não só durante a peregrinação, mas tanto antes quanto depois, como faço ainda hoje. A oração proferida por São Francisco tem sido publicada, ao longo dos séculos, com algumas pequenas variações. Pus em epígrafe a que está publicada no livro editado pela Vozes com os textos do primeiro século franciscano. Adotei, porém, como mantra durante minha peregrinação, a seguinte, que gosto de repetir com frequência:

Oh!, Glorioso Deus Altíssimo,

Iluminai as trevas do meu coração.

Concedei-me uma fé íntegra,

uma esperança firme,

uma caridade perfeita,

uma humildade profunda,

um reto sentir e conhecer,

para que eu possa cumprir a missão que Vós me confiastes.