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Vasco Arruda

Há muitos anos, não me recordo exatamente citado por quem, deparei-me com a seguinte frase grafada em latim: Homo sum: nihil humani a me alienum puto, seguida da tradução: Sou homem: nada do que é humano me é estranho. A frase é de autoria de Publio Terêncio Afro, dramaturgo e poeta romano, nascido entre 195-185 a.C. e falecido por volta de 159 a.C., que a escreveu na obra intitulada Heaautontimorumenos. Dentre os muitos escritores que ao longo dos séculos citaram a frase o autor do texto que eu li destacava Machado de Assis, que, segundo afirmou, tinha por ela uma predileção toda especial, fazendo uso dela mais de uma vez.

Vasco Arruda

Era manhã de sábado e estávamos encerrando um encontro no qual faláramos da figura de Cristo e de como as pessoas o reverenciam hoje. Auditório lotado, plateia animada e sequiosa por discutir especialmente as projeções psicológicas quase sempre (eu diria sempre) presentes nas aproximações que os cristãos fazem à figura do Redentor. Em alguns momentos foram salientadas as formas supostamente infantis de veneração de Cristo. O fato é que, para a maioria das pessoa, ele encarna a figura do pai protetor e misericordioso pronto para socorrer até nas necessidades mais insignificantes.

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Vasco Arruda

Certa vez, ao final de um show no bistrô que ficava dentro da loja Modern Sound, em Copacabana, fiquei escutando enquanto uma repórter entrevistava a grande cantora da bossa nova Leny Andrade. A repórter fez uma daquelas perguntas de praxe sobre se a cantora sentia algum nervosismo em dia de estreia etc., e Leny nem esperou que ela terminasse. Foi logo dizendo: “No instante em que piso no palco, estou segura. É como chegar em casa.”
Ao ouvir isso, lembrei-me de uma frase parecida que já ouvi de Ruy Castro, ao falar sobre como se sente dentro de uma livraria: “Tenho a sensação de que, ali dentro, nada de mal pode me acontecer. Eu me sinto cercado de amor.” Segundo ele, há uma explicação para isso: é que as pessoas que se envolvem com livros – escritores, editores, livreiros, compradores – são, em 90% dos casos, apaixonadas por leitura. Donde, os livros transpiram esse amor.
Heloisa Seixas
[Seixas, Heloisa. O prazer de ler. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2011, Capítulo: Um lugar de amor, p. 37. – (Prazeres).]

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Vasco Arruda

É em Cristo que vemos a origem de nossa aflição: nosso afastamento de Deus. É em Cristo que vemos a nossa culpa: a estulta ambição de nos tornarmos iguais a Deus. Quando em Deus vemos a razão de nossa aflição e a origem de nossa culpa, achamos também a nossa fortaleza em Deus; então o sol se deterá em Gibeon e a luz no vale de Ajalom; o mar se abrirá para garantir uma via enxuta e segura; as águas do Jordão estagnarão; a criatura velha, egocêntrica, se transformará em Cristocêntrica e o Homem NOVO buscará e invocará a Deus: Aba, Pai! Já não será riscado do Livro da Vida o nome ali inscrito desde a eternidade.
Lindolfo K. Anders
[Comentário de Lindolfo K. Anders em: Barth, Karl. Carta aos Romanos. Segundo a quinta edição alemã (impressão 1967). Tradução e comentários: Lindolfo K. Anders. São Paulo: Fonte Editorial Ltda., 2005, p. 611.]

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Vasco Arruda

Transcrevo, abaixo, o texto escrito pelo Prof. Carlo Tursi a propósito do 1º Colóquio Teológico.

Repercussão promissora do 1º Colóquio Teológico
“Quem dizeis que eu sou?”
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O auditório José Albano, do Centro de Humanidades da UFC, com 112 lugares, estava lotado no dia 28 de maio – em pleno sábado de manhã: É que o Movimento por uma Formação Cristã Libertadora havia convidado para um debate aberto e gratuito acerca de “Aspectos cristológicos do imaginário de Jesus”, questionando até que ponto o “Cristo da Fé” do povo crente reflete as características históricas da figura e do projeto de Jesus de Nazaré. Polêmica garantida!
Moderadora Valdicélia Cavalcante acolheu o público em nome do MFCL e chamou os dois palestrantes a compor a mesa (um outro convidado, Pe. Marco Passerini, fora impossibilitado de participar por motivo de doença): Prof. Michael Kosubek (“O que a pesquisa histórico-crítica hodierna nos permite saber acerca do Jesus histórico?”) e Prof. Vasco Arruda (“Até que ponto desejos e projeções infantis participam da construção do imaginário acerca do Cristo milagreiro e salvador?”). Suas colocações, ricas em conteúdo e complementares em sua respectiva ótica, provocaram um envolvimento extraordinário da platéia (22 intervenções, entre perguntas e comentários). Eis algumas das inquietações:
Por que a história do cristianismo é marcada muito mais por prece e louvor do que por seguimento a Jesus? – Como a exegese moderna, com seu interesse histórico-crítico, pode evitar que a figura de Jesus se transforme em apenas um personagem proeminente do passado, perdendo assim a relevância como o “Vivente e Presente” em fé e vida das pessoas hoje? – Será que a fórmula da devoção popular “Entrego minha vida a Jesus!” contém algo mais do que uma recusa infantil da responsabilidade pelo próprio destino? – Poderia existir uma religiosidade/espiritualidade que não fosse marcada pela sensação infantil de desamparo e necessidade de proteção por um Pai Todo-poderoso que “quebra todos os meus galhos”? – Será que o papa Bento XVI, em seu livro sobre Jesus de Nazaré, estava bem-intencionado quando, já logo no início, não se ateve aos pressupostos metodológicos da exegese científica e exigiu o reconhecimento a priori da divindade do Jesus histórico? – Qual a imagem de Jesus Cristo que devemos apresentar ao povo cristão em catequese, ensino religioso e homilia? – Qual a importância de um determinado referencial cristológico para o (não-) engajamento social e político de cristãos e cristãs?
Embora as perguntas recebessem tratamento competente e aprofundamento significativo pelos palestrantes, o tempo se revelou curto para esgotar a riqueza de perspectivas e problemas que foi trazida à tona. O Movimento, desde já, estuda a possibilidade de oferecer um segundo colóquio para clarificações (e problematizações!) ulteriores. – Antonieta Bezerra, em nome do MFCL, agradeceu a tod@s e encerrou os trabalhos daquela memorável manhã. Que venha mais! Outro Cristianismo é possível!
Carlo Tursi

Vasco Arruda

CONVITE PARA O 1º COLÓQUIO TEOLÓGICO DO MOVIMENTO POR UMA FORMAÇÃO CRISTÃ LIBERTADORA

“E vós, quem dizeis que eu sou?”
Aspectos Cristológicos do Imaginário de Jesus

A figura Jesus de Nazaré transmitida pelo cristianismo, até os dias de hoje, mediante a fé no Cristo e Filho de Deus, ao longo do tempo, tanto fascinou como inquietou a muitos.

Percebe-se que as múltiplas imagens de Jesus veiculadas hoje, parecem refletir pouco o projeto do Jesus histórico, tal como emerge da pesquisa histórico-crítica. Aparentemente, a devoção religiosa prevalece sobre o seguimento de Jesus. Por isso, convidamos tod@s a percorrer as trilhas dos estudos mais atualizados da exegese histórico-crítica, das novas hermenêuticas e do pensamento teológico vivo latino-americano e internacional.

Debatedores: Pe. Marco Passerini, Prof. Michael Kosubek e Prof. Vasco Arruda

Local: Auditório José Albano (área 1 do CH da UFC)

Av. da Universidade, 2683 – Benfica.

Data: 28 de maio Horário: 8:00 às 11:00 h

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Vasco Arruda

O jugo e o peso imposto pelo Senhor a São João de cuidar de Nossa Senhora, foi verdadeiramente um jugo suave e um peso ligeiro. Quem não teria, de fato, vivido de muito boa vontade com aquela Mãe que havia trazido nove meses no seu seio o Verbo Encarnado e com ele passado 30 anos na mais plena e doce devoção? Quem não sente inveja do predileto do Senhor, que, na ausência do Filho de Deus, pôde desfrutar a presença de sua Mãe? Mas, se não erro, também nós, rezando, podemos pedir à benignidade do Verbo Encarnado, para nós e por nosso amor ao crucificado, que nos diga: “Eis a tua mãe!”. E que ele diga à sua Mãe, a nosso respeito: “Eis teu filho!”. O Senhor não é avaro da sua graça, desde que nos aproximemos do seu trono com fé, confiança e coração não fingido, mas verdadeiro e sincero.
São Roberto Belarmino
[Belarmino, São Roberto. As sete palavras de Cristo na Cruz. Citado em: Sgarbossa, Mario. Os santos e os beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente: com uma antologia de escritos espirituais. Tradução Armando Braio Ara. – São Paulo: Paulinas, 2003, p. 527.]

Vasco Arruda

O AGAR – Grupo das mulheres do CEBI (Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos) – que trabalha a hermenêutica a partir da ótica feminista, está promovendo um Seminário sobre Teologia Feminista. O Seminário tem como tema “Maria Madalena e Maria de Nazareth – Uma Maria(s)logia da autoridade das mulheres”.
Esse evento constitui, seguramente, uma grande oportunidade para discutir a teologia sob um enfoque diferente, uma vez que esta é uma seara que ao longo dos séculos, a exemplo de outros tantos ramos do conhecimento, vinha sendo de domínio quase exclusivamente masculino.
Assessoras que debaterão o tema:
Isabel Aparecida Felix – assessora nacional do CEBI, co-fundadora da ONG MENINA FELIZ de Campina Grande-PB e autora de artigos relacionados à hermenêutica feminista da Bíblia.
Maria Soave Buscemi – educadora e biblista popular, assessora nacional e coordenadora da Dimensão de Gênero do CEBI. Autora de vários livros, dentre eles “Luas, contos e encantos dos evangelhos”, edição conjunta CEBI/PAULUS.
Tânia Couto – professora de Bíblia da Faculdade Católica de Fortaleza e da Escola de Pastoral Catequ[etica-ESPAC.
Data : 09 a 10 de maio de 2011
Horário: 18:30h às 21:30h
Local: Centro Pastoral Maria Mãe da Igreja – Rua Rodrigues Junior, 300
O evento é aberto ao público em geral. Aproveito o ensejo para convidar os leitores deste blog que tenham interesse pela teologia a prestigiarem essa louvável iniciativa do Grupo AGAR.

Vasco Arruda

Mi gallejo, mira quién llama./ _ Angeles son, que ya viene el alba.
Santa Teresa de Jesus
[Teresa de Jesus. Obras Completas. Texto estabelecido por Fr. Tomas Alvarez, O.C.D. Direção Pe. Gabriel C. Galache, SJ. Tradução de Adail Ubirajara Sobral e outros. – São Paulo: Edições Carmelitanas: Edições Loyola, 1995, Al Nacimiente del Niño Dios, p. 990]