Devo a Victor Smirnoff algo de muito íntimo no meu modo de ser psicanalista. Algo que ele me transmitiu ou que ele permitiu que eu me apropriasse – e acho que essas duas possibilidades não se excluem. Há o homem com seu humor, sua vivacidade, a inteligência e a elegância, seu interesse pela literatura, pelo cinema, pelo teatro, pela música, pela pintura, pela política e pela vida comum da cidade. Era possível adivinhar o gourmand, o homem do mundo. Bem como a possibilidade das cóleras, das intransigências. Sua paixão pela psicanálise, seu engajamento no trabalho, a ética, a transversalidade em relação às teorias. Tudo isso, mais a invenção permanente do encontro, estava sempre presente, constituía o tecido de sua presença e, no entanto, não explica um contentamento alegre que sustentava, que estimulava. Eu me sentia no aconchego, era gostoso estar com ele pensando junto, era confortável, cosy, intenso.
Heitor O ´Dwyer de Macedo
[Macedo, Heitor O´Dwyer de. Cartas a uma jovem psicanalista. Tradução Claudia Berliner. São Paulo: Perspectiva, 2011, p. 157. (Estudos; 285)]
A expressão da bondade fundamental está sempre ligada à benevolência – não uma benevolência morna, débil, água-com-açúcar, mas uma benevolência íntegra, animada, uma benevolência de quem tem ombros e cabeça aprumados. A benevolência, nesse sentido, provém da experiência da não-dúvida, da ausência de dúvida. Ser livre de dúvida nada tem a ver com aceitar a validade de uma filosofia ou de um conceito. Não se trata de converter-se ou submeter-se a uma cruzada até já não se ter qualquer dúvida sobre as próprias crenças. Não estamos falando de pessoas que nunca têm dúvidas e que fazem proselitismo evangelizador, estando sempre prontas a se sacrificar por uma crença. Não ter dúvida significa confiar no coração, confiar em si mesmo. Não ter dúvida significa ter vivido a experiência de relacionar-se consigo mesmo, a experiência de sincronização entre mente e corpo. Quando a mente e o corpo estão sincronizados, não se tem dúvida.
Chögyam Trungpa
[Trungpa, Chögyam. Shambhala: A Trilha Sagrada do Guerreiro. Tradução de Denise Moreno Pegorim, supervisão, revisão técnica e notas de Lincoln Berkley. São Paulo: Cultrix,1997, p. 54.]
A vida individual, qualquer que seja o tipo de sociedade, consiste em passar sucessivamente de uma idade a outra e de uma ocupação a outra. Nos lugares em que as idades são separadas, e também as ocupações, esta passagem é acompanhada por atos especiais, que, por exemplo, constituem, para os nossos ofícios, a aprendizagem, e que entre os semicivilizados consistem em cerimônias, porque entre eles nenhum ato é absolutamente independente do sagrado. Toda alteração na situação de um indivíduo implica aí ações e reações entre o profano e o sagrado, ações e reações que devem ser regulamentadas e vigiadas, a fim de a sociedade geral não sofrer nenhum constrangimento ou dano.
Arnold Van Gennep
[Gennep, Arnol Van. Os ritos de passagem: estudo sistemático dos ritos da porta e da soleira, da hospitalidade, da adoção, gravidez e parto, nascimento, infância, puberdade, iniciação, coroação, noivado, casamento, funerais, estações, etc. 2ª. ed. Tradução de Mariano Ferreira, apresentação de Roberto DaMatta. Petrópolis, RJ: Vozes, 2011, p. 24.]
Portanto, não temos vida simbólica, mas temos necessidade premente dela. Somente a vida simbólica pode expressar a necessidade da alma – a necessidade diária da alma, bem entendido. E pelo fato de as pessoas não terem isso, não conseguem sair dessa roda viva, dessa vida assustadora, maçante e banal onde são “nada mais do que”. No rito estão próximas de Deus; são até mesmo divinas. (…) A vida é racional demais, não há existência simbólica em que sou outra coisa, em que desempenho um papel, o meu papel, como um ator no drama divino da vida.
Carl Gustav Jung
[Jung, C. G. A vida simbólica: escritos diversos. Tradução de Araceli Elman, Edgar Orth; revisão literária de Lúcia Mathilde Endlich Orth; revisão técnica de Jette Bonaventura. – Petrópolis, RJ: Vozes, 1997. – (Obras completas de C. G. Jung; v. 18/1) III. A vida simbólica, p. 273.]
La Biblioteca de Autores Cristianos (BAC) nació del tronco de La Editorial Católica y del impulso del catolicismo social que propugnaba el luego cardenal Ángel Herrera Oria. Su primer libro, la Sagrada Biblia, apareció el 18 de marzo de 1944.
Feito à imagem e semelhança de Deus, o corpo humano é postulado desde o princípio do texto bíblico como um território do sagrado (Gn 1,26). Não se trata apenas de um monte de órgãos, vísceras, fluidos e funções. Na língua hebraica, todas as partes do corpo humano são hipostasiadas e dotadas de atributos psíquicos e espirituais. Cada parte do corpo humano leva em si mesma uma consciência do verdadeiro Eu e de sua unidade. É a hypostasis grega, a Pessoa, única e irrepetível, ícone divino, criado ao som do Verbo e na ressonância de seu Nome. Como na visão cristã do invisível trinitário, somos um Falante, que fala uma Palavra, dualidade que procede de um Sopro. A consciência corporal é hipóstase quando e sempre o existente coloca-se em relação com seu existir.
(…) O corpo humano possui uma estrutura e uma unidade que vão além da própria matéria, realidade essencial da pessoa. É um santuário onde a sabedoria divina se torna visível. A sabedoria judeu-cristã ajuda a viver o corpo como um templo, em que pesem todos os equívocos castradores e abomináveis que a história ocidental e oriental proferiu (e ainda profere) sobre o corpo.
Evaristo Eduardo de Miranda
[Miranda, Evaristo Eduardo de. Corpo, território do sagrado. São Paulo: Loyola, 2000, p. 11.]
No primeiro ano de seu serviço pastoral, na Festa de Corpus Christi, o arcebispo chega pontualmente à catedral para iniciar a missa e depois a procissão na qual deve carregar pelas ruas o ostensório dourado com o Santíssimo Sacramento. Começa a missa. Na oração da coleta, não consegue ler o que está no missal. Com os olhos marejados de lágrimas e a voz tomada pela emoção, ora:
“Senhor, é mais fácil reconhecer a tua presença na hóstia consagrada do que nos milhares de irmãos e irmãs miseráveis que sofrem e penam pelas ruas e cortiços do mundo. Como poderemos passar pelas ruas, com o pão, sinal da tua presença para um mundo novo e de partilha, indiferentes aos adultos e crianças que jazem abandonados no chão?
Dá-nos a graça de adorar a tua presença no pão da Eucaristia, de modo que possamos te reconhecer e honrar em cada ser humano, especialmente nos irmãos e irmãs mais marginalizados”.
Dom Marcelo Barros
[Barros, Dom Marcelo. Dom Helder, profeta do macroecumenismo (Reflexão em estilo de testemunho). Em: Rocha, Zildo (organizador). Helder, o dom. – Petrópolis, RJ: Vozes, 1999, p. 179.]
Nossa civilização repousa, falando de modo geral, sobre a supressão dos instintos. Cada indivíduo renuncia a uma parte dos seus atributos: a uma parcela do seu sentimento de onipotência ou ainda das inclinações vingativas ou agressivas de sua personalidade. Dessas contribuições resulta o acervo cultural comum de bens materiais e ideais. Além das exigências da vida, foram sem dúvida os sentimentos familiares derivados do erotismo que levaram o homem a fazer essa renúncia, que tem progressivamente aumentado com a evolução da civilização. Cada nova conquista foi sancionada pela religião, cada renúncia do indivíduo à satisfação instintual foi oferecida à divindade como um sacrifício, e foi declarado ‘ santo’ o proveito assim obtido pela comunidade. Aquele que em consequência de sua constituição indomável não consegue concordar com a supressão do instinto, torna-se um ‘criminoso’ , um ‘outlaw’, diante da sociedade – a menos que sua posição social ou suas capacidades excepcionais lhe permitam impor-se como um grande homem, um ‘herói’.
Sigmund Freud
[Freud, Sigmund. Moral sexual ‘civilizada’ e doença nervosa moderna. Edição Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud, Vol. IX: ‘Gradiva’ de Jensen e outros trabalhos. Tradução do alemão e do inglês sob a direção-geral e revisão técnica de Jayme Salomão. Rio de Janeiro: Imago Ed. Ltda., 1976, p. 192.]
Jesus não morreu de morte natural nem por estranha enfermidade. Ele morreu derramando Seu sangue na cruz, oferecendo a essência da vida, presente no sangue. Daí a religião cristã ser única. É a religião do sangue que dá nova vida. É a transfusão espiritual da vida de Deus no coração do cristão.
Talvez impressione e espante essa ideia do sangue. Mas o Senhor quer que o derramamento de Seu sangue por amor produza efetivamente uma impressão tão forte em nossa vida que terminemos amando-O ao compreender que Ele sangrou para nos dar vida eterna. Assim se expressou o discípulo Pedro: “fostes resgatados […] pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” (1 Pedro 1:18-19). E João destaca o mesmo conceito, ao dizer que o sangue de Jesus “nos purifica de todo pecado” (1 João 1:7).
Não falta quem se pergunte: “Por que Jesus teve que morrer na cruz? Não teria bastado nos ensinar um elevado código moral, para viver com integridade e correção?” Certamente não! O que o homem pecador necessitava não era apenas uma melhora moral, mas uma vida nova, engendrada por Deus por meio da oferta de Cristo. A verdadeira necessidade humana – de ontem, de hoje e de sempre – não é a de um código superior, mas a vida de Cristo implantada no coração. Precisamos da vida que Ele nos deu quando a entregou na cruz.
Qualquer tentativa humanista ou moralista de mudar o ser humano sempre será um esforço limitado e falido. Somente uma dependência do poder divino, com a aceitação da morte redentora de Cristo, pode assegurar vida eterna para “todo o que nEle crê” (João 3:16).
Você já aceitou pela fé o sacrifício de Cristo para a redenção de sua vida? Não poderia ter tomado decisão melhor! Conserve no coração essa decisão pelo resto de seus dias.
Enrique Chaij
[Chaij, Enrique. Ainda existe esperança: a solução para os problemas da vida. Tradução Fernanda Caroline de Andrade Souza. – Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2010, p. 82.]
Efeitos civis dos casamentos religiosos, ações trabalhistas contra igrejas, retirada de símbolos religiosos do ambiente de trabalho e uma ação direta de inconstitucionalidade contra o ensino religioso confessional em escolas públicas mostram que a relação entre Estado e Igreja ainda é um terreno minado para advogados e magistrados. Para analisar o tema e esclarecer conceitos que possam ser utilizados pela Justiça para equacionar estas e outras questões, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) promoverá nesta quinta-feira (16/6), no Centro de Convenções Brasil 21, em Brasília, o seminário internacional “O Estado Laico e a Liberdade Religiosa”. O seminário será aberto às 8h30, pelo ministro Cezar Peluso, presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça. Clique aqui para ver a programação do seminário.
Leia mais sobre o Seminário no endereço abaixo:
http://www.cnj.jus.br/noticias/cnj/14761:seminario-internacional-do-cnj-discute-relacao-entre-estado-e-igreja
