Radar do Comércio

Restaurantes se organizam para voltar a funcionar na pandemia

Imagem de estabelecimento aberto, com mesas; restaurantes estão se adequando aos novos protocolos de segurança

Entre as mudanças que os restaurantes estão realizando, está o distanciamento entre as mesas, os clientes e os funcionários e novos protocolos na higienização do espaço (Foto: Shawn Ang/Unsplash)

Entre protocolos de segurança e o desafio de atrair os clientes, os restaurantes se transformam para se adaptar à nova realidade

A alimentação fora do lar faz parte do dia-a-dia dos brasileiros e é fundamental para a economia do país. O setor gera milhões de empregos em cerca de 1,4 milhão de negócios e corresponde a 2,7% do PIB do Brasil. No entanto, durante o período de isolamento social, de acordo com os dados de uma pesquisa realizada entre os dias 15 e 18 de maio pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), o faturamento de 66% desses estabelecimentos caiu mais de 75%.

Neste momento, os restaurantes voltam a receber o público em boa parte das cidades cearenses, e, para atender às novas exigências e garantir que tudo funcione da melhor forma para todos, os estabelecimentos estão mudando seu funcionamento em diversos aspectos. Se segurança do alimento já era palavra de ordem no segmento, os cuidados com a saúde dos clientes se tornaram ainda maiores.

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A nova realidade já modificou a rotina do restaurante Mayú, localizado no Senac Reference. “Para nós, é muito importante seguir a risca o que foi definido por lei e tentar adaptar o nosso cotidiano a essa nova forma, desde receber o alimento até mesmo como processá-lo dentro do restaurante e também no aspecto de servir o nosso cliente”, explica Ivan Prado, chef e gestor do restaurante.

Ivan conta que, na cozinha, não foi preciso fazer tantas mudanças porque os protocolos de segurança já eram bastante rígidos, mas a maneira de atender teve que ser modificada, mantendo o distanciamento e não deixando os utensílios na mesa antes da chegada dos clientes. “Hoje você chega e está a mesa limpa, a gente faz tudo isso no momento em que o cliente chega. Antes, a gente fazia a higienização da mesa quando o cliente saia, mas agora a gente higieniza a mesa, a cadeira… E isso leva um pouco mais de tempo. Mas tudo isso faz sentido quando você se preocupa com o próximo, quando você tem uma empresa séria e busca trazer essa segurança, busca prestar serviço a um cliente num momento como o que estamos vivendo”, relata. 

Mudanças no self-service

A rotina nos cinco restaurantes do Sesc no Ceará também mudou. De acordo com Lara Mendes, consultora de saúde do Sesc, os estabelecimentos passaram alguns meses funcionando apenas para retirada das refeições, mas recentemente o serviço de self-service voltou a funcionar, porém com uma série de mudanças.

Lara conta que agora “antes de entrar no restaurantes, é verificada a temperatura do cliente, e nós temos os pedestais com álcool em gel. Nós também trabalhamos muito com educação em saúde, na conscientização do público sobre a importância da prevenção à covid. Também colocamos um funcionário para receber os clientes e disponibilizar luvas descartáveis para que eles se sirvam no balcão. As saladas cruas estão sendo porcionadas em potes individuais, também adotamos barreiras de acrílico e sinalização nas paredes, mesas e chão, sobre o distanciamento”.

Para Vanessa Santos, consultora de gastronomia do Senac Ceará, “o setor foi bastante atingido e isso não é uma condição somente brasileira, é mundial. Em geral, esses são micro e pequenos negócios e não têm suporte para, por exemplo, ficar três meses sem receber”. Ela considera que esse é um momento para muitos desses estabelecimentos “atentarem para as fragilidades que vinham desde antes da pandemia, principalmente referente a gestão, e encontrar soluções”, em relação à gestão e aos procedimentos.

A consultora coloca como pontos indispensáveis para os negócios do ramo investimento na gestão e na educação dos profissionais: “Nós precisamos falar sobre gestão. Somos exímios técnicos, mas deixamos de lado a questão da gestão. E, por outro lado, a questão da educação”. Ela explica que é necessário reconhecer as pessoas que aprenderam na prática, mas também é preciso valorizar a formação técnicas dos profissionais da área, especialmente porque nesses cursos eles também aprendem sobre conservação de alimentos e segurança.

A nova rotina dos restaurantes é o tema do episódio de número 44 do podcast Mundo Fecomércio. Para ouvir o programa e saber mais sobre o tema, acesse o link https://spoti.fi/3fEKi8Y

 

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